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Sobre a Análise de Spore

Algumas pessoas (dentre elas meu amigo Yuri) me criticaram por causa do modo como analisei Spore. Disseram que estava muito incoerente. Segundo essas pessoas, eu comecei a análise demonstrando um profundo ódio pelo jogo, para no final simplesmente falar que ele era OK.

Mas esse é exatamente o problema com Spore. Ele é OK. Ser OK é mais do que suficiente para uma noite de sono, ou para um banho, ou até mesmo para um jogo comum, que não inove em nada e só queira divertir. Mas Spore é um jogo feito para inovar. Jogos feitos para inovar não podem ser apenas OK, eles têm que ser memoráveis, têm que ficar nas mentes dos jogadores pelos anos que virão. Ser OK nesse caso é praticamente a mesma coisa que ser uma droga.

Mas eu recomendei Spore de qualquer forma, e sabe por quê? Porque por mais que eu tenha detestado ter minhas expectativas frustradas, eu ainda me diverti muito com ele. Spore é bom, sim, mas não chega nem perto de ser tão bom quanto o prometido. Ainda assim, é mais do que o suficiente para te entreter durante algumas semanas.

E uma coisa que não me decepcionou nem um pouco foi a ferramenta de criação, especialmente a de criaturas. É impressionante como você pode fazer o bicho que vier na sua cabeça, e o jogo ainda conseguir fazer com que ele pareça natural, mesmo quando tem um nariz onde o pé deveria estar. Por exemplo, veja uma das minhas criaturas, o Willywig:

Creation Detail

Tem outras versões dele, como uma onde ele está com uma roupa mais industrial, mas acho que essa é mais fácil de entender.

Ou a criação do meu amigo Lucas, o Ravie:

Creation Detail

Obs: se você quer fazer algo ainda mais estranho, saiba que existe uma atualização no site do jogo que permite que você faça criaturas assimétricas.

Entendeu o que eu quero dizer? Existe muito potencial nesse jogo, sim. A idéia perfeita está lá, mas ela foi simplificada ao ponto de perder todas as nuances. Mas como eu disse na análise, é provável que a próxima versão do jogo resolva adicionar alguns detalhes mais complexos, abrindo todo um novo leque de possibilidades, como aconteceu com SimCity ou The Sims. Afinal, você se lembra de como era o primeiro The Sims? Sem nenhuma expansão? Lembra como era interessante, mas enjoava muito depois de um tempo? Então, é basicamente a mesma coisa. The Sims 2 expandiu muito a idéia, e The Sims 3 conseguiu adicionar detalhes que tornaram o jogo muito mais rico e interessante, e portanto é na minha opinião o melhor dos três.

Ah, e antes que eu me esqueça, também estou escrevendo a análise de The Sims 3. Até!

Análise de Spore Publicada

Sabe aquelas vezes em que você fica esperando meses por algumas coisa, fica ansioso por vários dias, quase não dorme de empolgação, e quando finalmente chega (seja um filme, livro, etc.) não é o que você pensava que seria, e aí você se sente desapontado?

Então, imagine que em vez de esperar dias você tenha que esperar anos. Imagine que você fica quatro malditos anos esperando por um lançamento, e quando ele chega, não é nem um pouco tudo aquilo que tinham prometido que seria. Sem dúvida, em escala de anos, a decepção é absurdamente maior.

E foi isso que aconteceu comigo em relação ao jogo Spore, cuja análise você agora pode ler aqui.

Imaginando as Dez Dimensões

Bem, como vocês devem ter percebido pelo Sumindo no Tempo, eu me interesso muito por viagens temporais, teoria de universos paralelos, etc. Então, a pedidos de alguns leitores que também são meus amigos, vou postar aqui este vídeo explicando as dez dimensões. O vídeo está em inglês, mas se você tiver dificuldade para entender, eu escrevi a tradução logo embaixo: Leia o resto deste post

O Gato de Schrödinger

Sabe, eu ouvi um amigo uma vez me contar sobre a teoria do gato de Schrödinger. Na época, eu achei que não passava de uma idéia estranha para explicar a física quântica, que é algo mais estranho ainda. Mas agora faz muito mais sentido.

A teoria é assim: imagine que você coloca um gato dentro de uma caixa, com comida, água, e uma cápsula de veneno, que pode (ou não) disparar em um momento randômico. Então, você fecha a caixa e sai para dar uma volta. Tecnicamente, como você não sabe se a cápsula disparou até que a caixa seja aberta, o gato pode ser tido como vivo e morto ao mesmo tempo.

Essa teoria foi formulada por Erwin Schrödinger para tentar explicar ao povo o funcionamento da mecânica quântica, mas pode ser expandido para um conceito maior do que esse: a vida.

Sim, porque a vida é feita de escolhas. Cada escolha que nós fazemos pode ter resultados tanto bons quanto ruins. Mas até que tal escolha seja feita, podemos considerar ambos os resultados, por mais que as evidências apontem para um deles.

Infelizmente, às vezes o resultado ruim acontece. E quando esse é o caso, chega o momento da nossa vida em que precisamos ser mais maduros e lidar com as consequências. Nunca as lições que aprendemos pela vida são mais levadas em conta e mais postas em prova do que quando precisamos consertar nossos próprios erros.

E eu não estou dizendo isso como se eu tivesse feito escolhas certas e/ou reparado meus erros. Oh, não senhor. Eu cometi uma quantia medonha de erros durante a minha vida, e não consegui corrigir a maioria deles. Esses erros vão ficar marcados para toda a minha vida. Não é o tipo de situação facilmente reversível. Na verdade, eu nem mesmo sei se é reversível. Só o que eu sei é que eu fiz escolhas ruins, e minha vida está constantemente mudando por causa disso.

Mas sabe o que é mais instigante? Eu quero errar. Eu sei quando uma escolha tem alta probabilidade de acabar mal, e ainda assim eu persisto. Sabe por quê? Porque eu estou tentando. E é isso que importa. Por mais que algumas escolhas acabem mal para mim, se eu não as fizer eu nunca vou entender como a vida funciona. E aí eu nunca vou amadurecer.

Mas talvez a vida rode em volta da incerteza. Na minha opinião o Universo não é regido por regras abstratas: não há regras. O que há são somente nossas escolhas e ações, e as repercussões que elas têm nas nossas vidas e nas dos outros. E é isso que realmente importa.

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