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Ataque dos Corbynes

Depois de cerca de um mês e nenhuma visita de mim mesmo do futuro, eu estou oficialmente descartando a teoria de que meu celular consegue receber ligações de uma máquina do tempo. Se você não sabe do que eu estou falando, leia isto.

Mas o caso é que, eu estava no cursinho outro dia, e como não conseguia encontrar forças para prestar atenção na aula, meu olhar foi dirigido para algumas dezenas de celulares nas mãos e bolsos de outros alunos da sala. E eu acabei reparando que eram iguais ao meu.

Meu celular é daqueles desenvolvidos especificamente para adolescentes metidos à besta que gostam de aparelhos moderninhos mas não são ricos o suficiente para comprar um iPhone. Se eu realmente precisasse descrever eu diria algo na faixa de “parece que o iPhone foi esmurrado algumas vezes e caiu dentro de uma lata de tinta”. Ele tem um formato torto na lateral, e algumas partas possuem cores vibrantes, sendo que as do meu são amarelas, e me deixam tão envergonhado em público que eu me esforcei para cobrir a maior parte dele possível com preto. Tem uma tela touch-screen e vários menus e botões coloridos dentro dela. Não é a coisa mais empolgante do universo, eu sei.

E ainda assim, tinha algo estranhamente hipnótico em ver várias pessoas mexendo nos celulares, e eu estava lutando contra uma vontade irresistível de tirar o meu do bolso e arriscar ser pego pelo professor. E eu tenho certeza que todos na sala estavam sentindo algo parecido, porque a cada minuto que passava eu via mais e mais celulares. E o que é pior, TODOS ERAM IGUAIS AO MEU.

"Toda resistência é inútil!"

Eu fui para a Bienal do Livro nesse fim de semana, e havia pessoas com isso lá também. Também tem outros com colegas da minha escola antiga que eu encontrei outro dia. E quando eu fui obrigado a me apresentar para o exército (fui dispensado, e convido todos os examinadores a morrerem de derrame) eu vi mais alguns com os outros caras que foram convocados para os exames. Foi aí que eu comecei a ficar desconfiado, então um dia eu fui olhar a caixa na minha estante, anotei o nome do modelo e guardei na minha memória sem fundo para fatos inúteis.

“Samsung Corby” é o nome. Um nome  bem estúpido se você me perguntar, parece o que um papagaio diria se fosse estrangulado no fundo de uma piscina. A Samsung é uma companhia mundialmente famosa. Você sabe o que a maioria das companhias mundialmente famosas têm? Websites!

Então eu acessei a página e procurei mais informações, incluindo uma dizendo que o produto foi especialmente desenvolvido para agradar à população mais jovem e descolada.

Então eu suponho que poderia simplesmente ser uma tentativa mal-interpretada por mim de atingir um público extremamente específico.

Poderia ser.

Ou.

OU.

Você já assistiu “Ataque dos Invasores de Corpos”? Aquele que eu também não assisti (assisti o remake recente), com um monte de atores que eu não conheço? Nele, uma praga alienígena é espalhada por uma plantinha alienígena que uma pessoa deu para outra pessoa de presente. E se em vez de uma plantinha, fosse um metal alienígena, possivelmente espalhado em uma região bem grande? E se alguém, talvez hipnotizado pelos raios alienígenas, coletasse esse metal e fizesse, digamos, chips de telefone com ele?

Explicaria muito. Explicaria como tem pelo menos um em todos os lugares que eu vou. Explicaria por que eles parecem estranhamente magnéticos. (epifania) Gasp! E explicaria por que os alunos da minha sala que eu mencionei no começo desse post começaram a agir como uns bostas metidos alguns minutos mais tarde! Eles estavam possuídos pelo celular alienígena!

Bem, para mim o assunto está resolvido. Eu vou começar a carregar a maior marreta possível toda vez que sair de casa, e se eu vir um desses celulares eu vou reduzir a coisa maligna a cacos. Se vocês pudessem fazer a mesma coisa eu ficaria incrivelmente grato, assim como o dono do celular. O futuro vai te lembrar como um patriota, mesmo que te encham de porrada no presente!

Certo, de volta ao trabalho.

Telefone Fantasma

Como qualquer um que é jovem ao ponto de me olharem estranho quando eu digo que Soylent Green é gente (acabei de estragar um filme para você), eu adoro meu celular. Eu adoro os botões coloridos, o revestimento brilhante, e o monte de programas que eu absolutamente nunca uso mas gosto de saber que estão lá simplesmente para poder dizer que tenho. Sim senhor, meu celular. Não há nada que eu precise dele que não seja prontamente atendido.

Ah, e ele é assombrado.

Eu juro que é.

Eu fiquei um pouco surpreso na primeira vez que aconteceu. Eu simplesmente estava no meio da sala de aula, quando de repente o telefone toca. Eu tirei ele discretamente do bolso, para que o professor não tivesse um chilique, tomasse o aparelho, e se trancasse choramingando no banheiro até que nós pedíssemos desculpas e disséssemos que realmente queríamos saber mais sobre como uma enguia marinha defeca.

Eu olhei o identificador de chamadas, e estava mostrando desconhecido. “Ora”, eu pensei, “isso não é nada de mais, meu celular pode ter tido um problema em rastrear a chamada”. Eu não atendi, pelas razões mencionadas antes.

Isso aconteceu várias vezes durante as últimas semanas de cursinho. Mas eu só achei que era assombrado a partir de hoje. Depois que saí do cursinho e já estava em casa, no meu quarto, ele tocou de novo. Novamente desconhecido. Esse foi o momento em que eu comecei a pensar um pouco mais no assunto. Será possível que o mesmo número ficou me ligando todas as semanas durante o mesmo período da manhã, o mesmo número não identificado, para agora finalmente ligar em um momento em que eu poderia atender?

Eu comecei a imaginar as possibilidades – tinha uma pessoa mantida em cativeiro por traficantes do outro lado da linha, e ela tinha um telefone quebrado que só estava discando para um número. Essa pessoa havia tentado desesperadamente entrar em contato com esse número para pedir ajuda, e agora por causa da minha demora de semanas para atender ela havia tentado em outro horário, mas atender era muito perigoso, porque os traficantes provavelmente grampearam o telefone, e eles me procurariam também. Eu iria até a polícia e seria colocado sob proteção, mas no fim seria encontrado e precisaria lutar contra o vilão no meio de uma fábrca de drogas. Eu venceria e ele cairia numa piscina de lixo tóxico, e eu acharia que ele havia morrido, mas ele voltaria depois como meu pior inimigo, CRACK-MAN…

Eu parei de pensar na história antes que ficasse muito idiota. Se realmente havia alguém em perigo do outro lado da linha, então era meu dever como cidadão atender, principalmente porque a pessoa parecia muito focada em ligar especificamente para mim. Eu peguei o telefone, levei até o ouvido, e atendi.

Nada.

Bom sinal.

Eu fiquei escutando mais alguns segundos, para ver se conseguia escutar alguma voz ao fundo, ou qualquer coisa. Depois de alguns segundos, eu achei que seria sensato fazer algo a respeito, e falei alô.

Houve um grito de volta.

HA, te peguei.

Não, não houve. continuou totalmente quieto, como o intestino do Gandhi durante um protesto de fome. Eu tentei falar mais algumas vezes, mas ainda assim nada aconteceu, até que eu enjoei e desliguei o telefone.

Então o mistério da ligação sem nome me rodeia até agora, onde eu estou sentado escrevendo essa atualização inútil. O que era, afinal? O fantasma do usuário anterior do telefone? Dificilmente, o celular estava muito limpo para ter sido usado, e além disso, é um modelo novo, seu idiota.

Então o quê?

Eu tenho uma teoria. É o tipo de coisa que eu gosto de pensar quando estou sem nada para fazer. Eu sempre imaginei que, se em algum momento da minha vida eu descobrisse como me comunicar comigo mesmo no passado, eu passaria as informações necessárias para me tornar rico e famoso. Você sabe, números de loteria, o código-fonte do meu primeiro jogo, um par de óculos que passasse diretamente para o meu cérebro conselhos sobre o que fazer num primeiro encontro, coisas do tipo. O que eu acho é o seguinte: meu eu do futuro conseguiu desenvolver algum dispositivo que consegue realizar ligações para telefones de qualquer época, e tentou entrar em contato comigo nesses últimos dias. Ele tentou ligar para mim no cursinho, porque provavelmente no futuro essa é a posição de onde o celular pega melhor, mas acabou desistindo do lugar porque eu não atendia. Então, ele conseguiu ligar na minha cassa, mas descobriu que embora consiga estabelecer a ligação, ele não consegue enviar o som para o passado (inventor imbecil).

Certo então. Eu já sei o que fazer. A internet provavelmente ainda vai existir no futuro distante, o que significa que este blog ainda irá existir. Meu eu futuro, após conseguir resolver o problema com o envio de som, irá olhar estas páginas para encontrar referências de quando ligar. Pronto, futuro eu? A data que você está procurando é 02 de julho, 2010. Eu vou esperar por você por volta das 21:00 dentro do meu cubículo no trabalho. Vou deixar o celular em cima da minha mesa.

OK, eu vou manter vocês atualizados a respeito das futuras aventuras de mim e meu eu futuro assim que elas começarem. Fiquem ligados!

Sobre a Análise de Spore

Algumas pessoas (dentre elas meu amigo Yuri) me criticaram por causa do modo como analisei Spore. Disseram que estava muito incoerente. Segundo essas pessoas, eu comecei a análise demonstrando um profundo ódio pelo jogo, para no final simplesmente falar que ele era OK.

Mas esse é exatamente o problema com Spore. Ele é OK. Ser OK é mais do que suficiente para uma noite de sono, ou para um banho, ou até mesmo para um jogo comum, que não inove em nada e só queira divertir. Mas Spore é um jogo feito para inovar. Jogos feitos para inovar não podem ser apenas OK, eles têm que ser memoráveis, têm que ficar nas mentes dos jogadores pelos anos que virão. Ser OK nesse caso é praticamente a mesma coisa que ser uma droga.

Mas eu recomendei Spore de qualquer forma, e sabe por quê? Porque por mais que eu tenha detestado ter minhas expectativas frustradas, eu ainda me diverti muito com ele. Spore é bom, sim, mas não chega nem perto de ser tão bom quanto o prometido. Ainda assim, é mais do que o suficiente para te entreter durante algumas semanas.

E uma coisa que não me decepcionou nem um pouco foi a ferramenta de criação, especialmente a de criaturas. É impressionante como você pode fazer o bicho que vier na sua cabeça, e o jogo ainda conseguir fazer com que ele pareça natural, mesmo quando tem um nariz onde o pé deveria estar. Por exemplo, veja uma das minhas criaturas, o Willywig:

Creation Detail

Tem outras versões dele, como uma onde ele está com uma roupa mais industrial, mas acho que essa é mais fácil de entender.

Ou a criação do meu amigo Lucas, o Ravie:

Creation Detail

Obs: se você quer fazer algo ainda mais estranho, saiba que existe uma atualização no site do jogo que permite que você faça criaturas assimétricas.

Entendeu o que eu quero dizer? Existe muito potencial nesse jogo, sim. A idéia perfeita está lá, mas ela foi simplificada ao ponto de perder todas as nuances. Mas como eu disse na análise, é provável que a próxima versão do jogo resolva adicionar alguns detalhes mais complexos, abrindo todo um novo leque de possibilidades, como aconteceu com SimCity ou The Sims. Afinal, você se lembra de como era o primeiro The Sims? Sem nenhuma expansão? Lembra como era interessante, mas enjoava muito depois de um tempo? Então, é basicamente a mesma coisa. The Sims 2 expandiu muito a idéia, e The Sims 3 conseguiu adicionar detalhes que tornaram o jogo muito mais rico e interessante, e portanto é na minha opinião o melhor dos três.

Ah, e antes que eu me esqueça, também estou escrevendo a análise de The Sims 3. Até!

Análise de Spore Publicada

Sabe aquelas vezes em que você fica esperando meses por algumas coisa, fica ansioso por vários dias, quase não dorme de empolgação, e quando finalmente chega (seja um filme, livro, etc.) não é o que você pensava que seria, e aí você se sente desapontado?

Então, imagine que em vez de esperar dias você tenha que esperar anos. Imagine que você fica quatro malditos anos esperando por um lançamento, e quando ele chega, não é nem um pouco tudo aquilo que tinham prometido que seria. Sem dúvida, em escala de anos, a decepção é absurdamente maior.

E foi isso que aconteceu comigo em relação ao jogo Spore, cuja análise você agora pode ler aqui.

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