Sumindo no Tempo – Capítulo I – Eu Existo

Eu me encontrei no Tempo muitas vezes. Quem faz o que eu faço sempre acaba passando por esse tipo de situação. O grande segredo da viagem no Tempo é que você não envelhece enquanto ela está acontecendo, porque você está vivendo em um lugar e época que não são os seus. Então, você pode ir para todas as épocas que quiser, porque a vida é estendida o suficiente pra isso. Como consequência, eu passei por quase toda a vida do Universo conhecido, e me tornei mais velho do que ele. Eu sei de segredos que fariam o mais corajoso e inteligente dos homens ficar com as pernas bambas.

Mas eu também fiz muitas alterações importantes na Existência. Se foram para melhor, eu não sei dizer. Só sei que não pude evitar realizá-las, e me arrependo amargamente de algumas. Quem disse que é impossível mudar a História viajando no tempo nunca realmente tentou. As pessoas dizem que modificar a História faria com que a motivação para ter feito isso nunca tivesse existido, então das duas uma: ou a mudança seria desfeita, ou ela permaneceria, mas sem que ninguém se lembrasse da versão original. E foi a segunda situação que aconteceu.

Mas por alguma razão, eu me lembro. É como se o Universo me odiasse por ter mexido nele, e me punisse por isso, me fazendo lembrar do que deixou de acontecer, sendo excluído por todas as outras pessoas que não se lembram. Eu fui parar em manicômios, mais de mil vezes, durante as minhas viagens. Eu vou parar neles durante minhas viagens. Quando se fala em questões de Tempo, as coisas aconteceram, ainda vão acontecer e nunca terão acontecido, tudo de uma vez só. É um inferno pensar nisso. Foi um inferno.

Quando eu me encontrei morto, não entendi como isso era possível. Eu quase nunca voltei à minha época original, o que significa que sou quase tão jovem quanto quando comecei essas viagens. E ainda assim, meu cadáver parecia tão velho… Era como se de repente, toda essa eternidade de viagens, mais velha do que a própria existência, tivesse me atingido. Eu não entendi naquela hora, e ainda não entendo. Uma das razões pela qual eu comecei/vou começar/terei começado este livro, é para tentar fazer com que tudo junto possa ter algum sentido.

Sei que muitas pessoas gostariam de me fazer bilhões de perguntas, se acreditassem na minha história. Começariam por perguntas fúteis, como “O assassinato do Presidente Kennedy foi uma armação?”, “Como vai ser a vida daqui a mil anos?”, “Você conheceu a Rainha Cleópatra?”. Depois, perguntas mais elaboradas viriam, como “Se você esteve em todas as épocas, como o Universo começou?”, “Como ele acaba?”, “De onde veio a Vida?”, “Você sabe se criaram um meio de impedir a morte no futuro? Qual?”. Mas ainda assim, ninguém faria a pergunta que realmente importa.

As poucas pessoas que acreditaram em mim, fizeram todo tipo de pergunta. Mas eles nunca me perguntaram o mais importante. Todos sempre me perguntaram “Quando”, “Como”, “Por quê”, e outros. Mas ninguém nunca me perguntou “O quê”. Todos querem saber por que nós estamos aqui, mas ninguém nunca que saber o que nós somos. Eles querem saber por que a Vida e o Universo existem, mas nunca querem saber o que eles são.

Essa é uma pergunta um tanto quanto pesada. Nem eu mesmo sei se tenho a resposta completa. Mas acho que não é uma boa idéia responder a essa pergunta. Acreditem quando eu digo que, uma vez que você sabe qual é a resposta para a Existência, nada mais parece fazer sentido. A única razão pela qual eu ainda consegui ter a força de vontade de escrever esse misto de diário, memórias e testamento, foi porque, embora saber o sentido de tudo tenha me matado por dentro, eu ainda tenho um pouco de humanidade em algum canto. E esse pouco precisa ter sua necessidade suprida: a de passar seu conhecimento para o próximo.

Se por um milagre do destino, você, que está lendo estes relatos, também possui um dom, e conhece a dor de lidar com ele, acredite, meu amigo: você não está sozinho. Espero que você aprenda a administrar o seu dom para o bem, para poder ajudar o próximo. Que você consiga usar o seu dom para salvar vidas, para virar uma boa pessoa, um pilar da comunidade. Que você use o seu dom pensando nos outros, em vez de ser egoísta e usá-lo somente em benefício próprio.

Espero que você consiga, porque eu não consegui.

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  1. Gorila Assassino

    Eu tenho uma pergunta sobre o futuro: “A equipe do wordpress deletou o blog ‘diegomachado42.blogspot.com’ por se tratar de um blog inútil ocupando espaço no banco de dados?”

  2. diegolomac

    Não, elas estavam muito ocupadas deletando os 30 blogs de um único post (o hello world) do Gorila Assassino.

  1. Pingback: Philip Existe « Diego Machado: A recompensa está no fazer.

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