X-Men Origins: Wolverine – Uncaged Edition

Sabe, eu não sei qual é a de jogos que têm um nome tão longo que você põe os pulmões pra fora só de pronunciá-lo, mas isso parece ser algo muito frequente agora. Acho que o melhor exemplo de todos é um dos jogos que eu já analisei aqui, Dwarf Fortress, cujo nome completo é Slaves to Armok: God of Blood Chapter II – Dwarf Fortress. Agora tente se referir a esse jogo sempre pelo seu nome completo, sem acabar parecendo pelo menos um pouquinho idiota.

Sobre o que eu devia falar mesmo? Ah sim. X-Men Origins: Wolverine – Uncaged Edition, que para meu bem e do leitor, vamos chamar de Wolverine Uncaged daqui pra frente, OK?

Por que todos sempre acham que é maneiro cruzar as armas em cima do peito como um faraó dentro de um sarcófago?

Wolverine Uncaged é basicamente tudo que você poderia esperar de um jogo do Wolverine. Tem garras de Adamantium (e de osso também), muitos inimigos sendo estraçalhados, o faro do Wolverine sendo usado, outros mutantes, o poder de Regeneração, as Sentinelas (provavelmente o inimigo mais legal que o Wolverine já enfrentou), e por aí vai.

Uma das coisas que realmente me fez gostar desse jogo é que, embora siga bastante o roteiro do recente filme do Wolverine, ele toma um pouco de liberdade e explora o resto da história do X-Men mais legal que existe. Isso significa que há cenários no jogo que nunca vieram a aparecer no filme, assim como inimigos também.

O jogo tem uma aparência bem bonita, mas isso não é difícil de se conseguir hoje em dia, quando já existem tantos softwares prontos que fazem tudo ficar tão requintado quanto uma garota no baile de formatura. Mas uma coisa que realmente me chamou a atenção, e com a qual eu me diverti até o fim do jogo, foi o quanto os desenvolvedores se empenharam em mostrar os poderes de regeneração do Wolverine. Vamos construir a seguinte cena: você acaba de chegar no meio de uma tropa inimiga de soldados, que prontamente começam a atirar em você, te deixando com mais buracos do que um queijo suíço. Sua roupa rasga, as feridas de balas ficam expostas, seus órgaos internos aparecem, e seu reluzente esqueleto de Adamantium fica à mostra. Então, lentamente, as feridas começam a se fechar, com os músculos sendo reconstruídos e a pele cobrindo tudo de novo. No fim, só restam cicatrizes, que depois de algum tempo também somem. Eu sei que esse tipo de coisa foi feito com nenhuma intenção além de ser bonitinho, mas visto que o poder de regeneração do Wolverine é um dos poderes que muitas pessoas achariam úteis, foi interessante e divertido ver como os produtores se empenharam em fazer com que ele funcionasse direito. Aqui vai uma demonstração. Eu sei que no final a cura fica brusca demais, mas aprecie o resto da transição:

Como eu disse, o fato de o jogo não seguir a história do filme à risca é uma boa coisa, visto que a maioria dos games baseados em filmes fracassam justamente por se ater ao roteiro original. Mas! Lá pela metade da história, eu já não estava mais aguentando os flashbacks da missão na África, onde o Adamantium foi encontrado pela primeira vez. No filme, isso tem direito a uma cena. No game, a estrutura de fases é assim: uma fase normal, uma fase flashback, uma fase normal, uma fase flashback… é absurdamente irritante, porque por mais que a missão da África tenha sua parcela de interesse, nada consegue ser tão interessante assim por tanto tempo.

"Rowr, eu não aguento mais essa floresta africana!"

Mas eu devo dizer que a parte mais satisfatória do jogo foi a luta contra a Sentinela. Você conhece a Sentinela, certo? É aquele robô gigante aniquilador de mutantes, que quase matou o Wolverine, para em seguida ser completamente destruída pelo mesmo. Apesar de ser um pouco repetitiva, a luta é suficientemente épica para poder manter a minha atenção voltada para o game, e para nada mais.

A Sentinela é a coisa "pequenina" ao fundo.

No geral, os inimigos são bem variados, com oponentes novos surgindo durante o progresso de cada fase, mas ainda assim, alguns começam a se repetir demais, até um ponto de exaustão. Por exemplo, no começo do jogo, eu enfrentei um gigante na selva africana, e depois enfrentei um equivalente nos laboratórios de Adamantium. Na primeira vez que lutei contra eles, foi uma experiência muito interessante. Mas! Depois disso, eles apareciam praticamente a cada esquina, e deixaram o posto de mini-chefão, para passar para o posto de “Não sabemos o que colocar aqui para deixar o jogo interessante, então vamos jogar alguns desses e esperar que ninguém repare.”

É sério, isso perde completamente a graça lá pela quarta vez...

Por último, eu gostaria de repetir que a luta contra a Sentinela foi uma luta de chefão interessante. Mas foi a única luta de chefão interessante. Os outros chefes (o irmão do Wolverine, o Gambit, o Deadpool) foram ou extremamente repetitivos, ou extremamente ridículos e fáceis. Eu simplesmente não aguentei lutar contra o Gambit de uma vez só, tive que pausar o jogo, sair pra tomar um ar e um café, pra só depois continuar. Lembra como no filme a luta dura cerca de um minuto, e só acontece dentro do salão do cassino? No jogo, você precisa perseguir o desgraçado por todos os prédios da cidade, e tomando cuidado para não cair, o que com certeza vai acontecer pelo menos uma ou duas vezes.

"Eu não posso simplesmente te pagar uma bebida e resolvermos isso?!"

A luta contra o Creed (Dente-de-Sabre para os íntimos) não tem absolutamente nada de especial, nada que a destaque. Ela é extremamente fácil e inútil para o fluxo da história, e acaba mais sendo um anti-clímax do que qualquer outra coisa. Especialmente na segunda vez em que você o enfrenta, antes de lutar contra o Deadpool.

"Tá, irmãozinho, você tem um problema com raiva. Entre numa clínica."

O que me leva à maior falha deste jogo: o Deadpool. Embora os produtores tenham tentado fazer a luta exatamente como aparece no filme, ela é simplesmente fácil demais. Sei que parece estranho, mas é o que acontece. Tudo que ele faz é ficar se teletransportando ao seu redor, tentando encontrar uma parte desprotegida para atacar. Se a primeira vez que eu jogasse, eu começasse direto nessa luta, até poderia ser um desafio, por causa do teletransporte, mas durante os flashbacks (aqueles malditos flashbacks), eu enfrentei um monte de mutantes que também se teletransportavam, e já estava tão costumado com isso que nem me preocupava mais, e só ficava fatiando o ar até algo se materializar na minha frente. Além disso, se não me engano, no filme, o Victor Creed (irmão do Wolverine, Dente-de-Sabre, etc, etc, etc…) ajudava o Wolverine na luta. Por que isso não acontece aqui? Talvez esse fosse o ingrediente que faltava, o que poderia deixar a luta mais emocionante. Eu pessoalmente considero a Sentinela o chefão do final, e todo o resto como apenas um bônus que eu devia dar uma olhada.

"Meh, já vi isso antes..."

Falando em bônus, durante o jogo você é encorajado a encontrar miniaturas das fantasias que o Wolverine teve durante esses anos de história. E quando isso acontece, você pode jogar um minigame, onde luta com você mesmo usando essa fantasia, concorrendo pela chance de poder usá-la depois. O caso é que isso é inútil. Não há nenhuma razão para usar as fantasias, elas não te dão mais força ou resistência. A melhor razão que pode haver é estética, mas eu pessoalmente acho que o Wolverine fica melhor na roupa comum dele. Em outras palavras, parecendo um ser humano (ainda que com garras de metal) em vez de um maluco de macacão que ninguém leva a sério.

"Pra que eu estou lutando por uma roupa que eu mal vou usar, que não me ajuda em nada, e que me faz parecer um palhaço?"

Frase Final: Cha-Ching Splorch Aaaarrrrggghh!!!

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