The Saboteur

Quantos jogos de Segunda Guerra Mundial já foram feitos? Eu perdi a conta pro volta dos cinco milhões de bilhões de squilhões. E todos eles sempre são iguais. Você controla um soldado em um grupo de americanos absurdamente patriotas e corajosos, do tipo que nenhum ser humano conseguiria ser, e que dá inveja até mesmo no Capitão América. Você luta contra Nazistas que têm a voz do Hannibal Lecter e a cara mais monstruosa que os designers conseguiram pensar, porque supostamente isso os torna mais maus. E no final você explode a fortaleza gigante do mal e resgata um monte de criancinhas e filhotes de cachorrinho, enquanto uma música épica toca no fundo, do tipo que nem Hans Zimmer seria tão pretencioso de compor.

Em outras palavras, eu gostaria de jogar um game de Segunda Guerra Mundial que fosse um pouco diferente, onde você controlasse, digamos, um membro da Resistência, um civil usando táticas de guerrilha para acabar com o inimigo cirurgicamente. E sim, tinha coisas assim na Segunda Guerra Mundial, não é porque ninguém criou trinta mil filmes baseados nisso que não aconteceu.

Então a pergunta é: The Saboteur consegue atender a esse gosto meu? Bem, mais ou menos.

The Saboteur foi o último jogo feito pela Pandemic Studios (uma empresa comprada pela EA Games) antes deles fecharem as portas por causa da crise econômica, e é no geral baseado na vida de William Grover-Williams, um piloto de corrida Anglo-Francês que também era um agente britânico ajudando a resistência francesa, só que aqui no jogo ele é irlândes, se chama Sean Devlin e entrou na resistência francesa simplesmente porque quis, então acho que já podemos deixar a parte do baseado em uma história real de lado. Infelizmente, parece que o mercado de dublagens não tem muitos atores irlandeses, porque o sotaque do cara que dubla Sean parece tanto com um sotaque irlandês quanto a alface vencida no fundo da minha geladeira parece com a rainha da Inglaterra.

Mas você tem que admitir que a roupa dele é o máximo.

Saboteur é um jogo sandbox e usa plágios de uns 10 outros jogos de sandbox. Você tem a parte de escalar prédios de inFamous e Assassin’s Creed, a parte de destruir prédios do inimigo de Red Faction Guerrilla, a parte de se esconder de inimigos em pontos específicos novamente de Assassin’s Creed, e a parte de pegar qualquer veículo e sair dirigindo feito um louco que originalmente era ideia do GTA. O único problema é que todos esses recursos são menos explorados aqui. Apenas alguns tipos específicos de construção podem ser demolidos, os controles de escalada são lentos e algumas vezes confusos, e encontrar um lugar para se esconder quando você está fugindo é tão difícil e raro que nem vale a pena.

Então você provavelmente deve se perguntar se este jogo não tem nada de original. Bem, ele tem uma espécie de visual artístico estilo Lista de Schindler ou Sin City, onde as partes do mapa ocupadas pelos nazistas estão em preto e branco, exceto por meia dúzia de coisas que aparecem coloridas, como o vermelho das bandeiras nazistas, o amarelo das luzes dos postes e as cores dos olhos dos personagens. E quando você diminui a opressão nazista na região, tudo volta a ficar colorido. Mas eu chego a me perguntar por quê eu iria querer fazer com que tudo fique colorido, quando o jogo fica visualmente muito mais legal e interessante quando está usando a única coisa que ele tem de original.

A cidade de Paris da década de 40 supostamente deve ter sido recriada o mais fielmente possível, e eu sei disso porque eu acho que ninguém ia deliberadamente colocar ruas tão apertadas no jogo e com tantas curvas bruscas a menos que quisesse ser fiel à vida real. E as missões frequentemente fazem com que você precise dirigir de um canto ao outro do mapa, o que faz com que você acabe batendo o carro várias vezes, atropele acidentalmente civis, e também nazistas, que acabam soando o alarme e te perseguindo pelo resto da missão.

As missões em si são no nível mais básico muito parecidas. Você vai até um lugar que os nazistas estão protegendo, encontra um prisioneiro, um inimigo, ou uma construção, e ou o salva, o mata, ou a explode, respectivamente. Para isso, ou você usa uma estratégia furtiva, contornando as linhas inimigas e causando explosões ao longo para criar distrações, enquanto elimina alguns inimigos que estão no seu caminho sem que eles soem o alarme, ou entra correndo pela porta da frente ao estilo Rambo, leva três tiros na cara por snipers que te viram, morre, recarrega e usa a estratégia furtiva, seu idiota. Bancar o Rambo aqui só dá certo em algumas missões.

Agora, eu sei que gráficos não são algo essencial para games, tanto que gosto muito de alguns jogosque já tem mais de 10 anos e são feios pra burro. Mas o que me incomoda muito em The Saboteur é que, embora no geral ele seja visualmente bonito, as explosões são as mais feias que eu já vi em um bom tempo. Para um jogo que se foca tanto em explodir equipamentos e construções inimigas, você esperaria que eles fariam explosões mais visualmente interessantes, como foi o caso em Just Cause 2 e Split Second. É uma reclamação pequena, mas eu ficava constantemente me lembrando disso toda vez que explodia algo.

E o pior é que nenhuma imagem estática consegue demonstrar como as explosões são horríveis, você precisa ver a coisa acontecendo.

Então, no final das contas, The Saboteur é um bom jogo? Bem, como eu disse no começo, mais ou menos. Ele sem dúvida não é nem um pouco inovador, e até mesmo as partes plagiadas não são usadas em todo o seu potencial, mas eu achei muito interessante ver um jogo que mostra a Segunda Guerra Mundial de um jeito um pouco diferente do que é o costume. Além disso, eu nunca me cansei de escalar até o telhado das casas e observar enquanto uma torre de vigia dos nazistas explodia a algumas dezenas de metros de distância por causa do dinamite que eu plantei no lugar. E existem muitos momentos no jogo que são épicos e divertidos, como quando você escapa de um dirigível em chamas, ou precisa retirar um médico de um trem em alta velocidade que se encaminha para uma ponte que vai explodir por causa de explosivos que você mesmo plantou. Então, basicamente, se a descrição do jogo te interessou, e se você não tem outros jogos sandbox, como GTA ou Just Cause 2, então sim, este vale a pena. Caso contrário, mneh, eu diria que não muito.

Weeeeeeeeeee!!

Frase Final: Eu tenho a impressão que a mãe do William Grover-Williams não tinha muita criatividade com nomes.

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