Spore

Era uma vez um garotinho que na sétima série ficou sabendo de um jogo chamado Spore. Ele começou a pesquisar mais sobre o jogo na internet, e ficou completamente obcecado com ele. Não havia um único dia em que esse garotinho não pensasse no jogo. Não havia um dia em que ele não falasse para os amigos sobre o assunto, sobre como seria uma revolução que mudaria tudo que já foi feito em relação a games na história. Seus amigos começaram a ficar de saco cheio, sua família achou que ele precisava de ajuda profissional, e garotas não chegavam perto dele, porque tudo que ele sabia fazer era pensar no jogo. Assim foi durante anos, e ele acompanhava o desenvolvimento, se sentindo mais e mais excitado quando a data de lançamento se aproximava, e ficando abalado quando era adiada de novo.

Finalmente, quatro anos depois, quando ele já estava no final do segundo ano do colegial, Spore foi lançado. O garotinho quase não se conteve de alegria, e foi pulando comprar sua própria cópia, fazendo questão de comprar uma das versões especiais, com o DVD do Making Of e tudo o mais. Mas quando esse garotinho começou a jogar, ele percebeu que o jogo não era a revolução aniquiladora de universos que tinham prometido. Abalado e sentindo-se traído, esse garotinho começou sua lenta metamorfose até finalmente se transformar na criatura que digitou esta análise para você ler. Então basicamente, é hora da vingança.

Vamos nessa, não é pra sobrar pedra sobre pedra.

Spore é um jogo desenvolvido por Will Wright, o mesmo criador das franquias The Sims, Sim City, Sim Earth, Sim Ant, e praticamente qualquer coisa que tenha Sim na frente (ele provavelmente deve ser fã daquele filme “Sim, Senhor!“… HAH!). O caso é que, quando se faz algo tão famoso e lucrativo quanto The Sims e Sim City, você não começa a fazer outra coisa, você se tranca na sua casa e vive dos direitos autorais, para então se cansar do sedentarismo e resolver fazer algo diferente com a sua vida, como criar ovelhas na Irlanda. Do que eu estava falando mesmo? Ah, sim. O problema com fazer qualquer coisa quando você já é famoso é que as pessoas ficam com altas expectativas. Se você fez um tremendo sucesso com, digamos, Sim City, então o público passa a não querer nada que não seja tão bom ou melhor do que Sim City. E assim é estabelecido um padrão, uma base. E se por acaso você consegue lançar um produto mais famoso e lucrativo que Sim City, como por exemplo The Sims, esse passa a ser o novo padrão, e as pessoas vão querer que seu próximo lançamento seja ainda melhor. Infelizmente, Spore não é.

Não chega nem perto de ser tão bom quanto The Sims, mesmo com tanta coisa junta.

O trailer do jogo:

Em Spore, você controla uma espécie, desde sua forma celular, passando por uma criatura irracional, que depois passa a conviver em tribos, em cidades, travando guerras e acordos comerciais, para finalmente construir sua própria espaçonave e explorar a galáxia. Basicamente, cada uma dessas partes é dividida em estágios diferentes, e cada um funciona praticamente como um jogo separado, com sua própria mecânica individual. Então, como diria Hannibal Lecter, vamos por partes:

Estágio Celular: Neste estágio, seu próprio microorganismo chega no planeta por um meteoro, seguindo a teoria da panspermia de que a vida veio do espaço. Neste estágio, tudo é bem simples e básico, você precisa comer para crescer, e evitar ser comido para sobreviver. Não poderia ser mais básico, tanto que essa fase só dura em média uns 10 minutos.

E sim, os bichões mais grandes ao fundo passam a te perseguir quando você cresce mais um pouco.

Você pode escolher entre ser predominantemente carnívoro, herbívoro ou onívoro, e cada uma dessas escolhas rende recompensas diferentes nos estágios seguintes do jogo, algo que acontece nos outros estágios também. As escolhas de suas ações acabam moldando todos os estágios seguintes.

Estágio de Criatura: A característica mais marcante de Spore, existente em todas as fases, é que você é responsável por criar a aparência de praticamente tudo no jogo. Você é quem decide como vai ser a sua criatura, se ela vai ter quinze pés, uma corcunda gigante, o traseiro em cima da cabeça, e por aí vai. E é realmente impressionante como você pode fazer o que bem entender e o jogo ainda consegue fazer o bicho andar, dançar e dar pulinhos de maneira convincente.

Mas é aqui que começa minha primeira decepção com o jogo. Existe um medidor de complexidade, que impede você de colocar muitas peças na sua criatura. O que significa que se você tinha alguma coisa mais elaborada em mente, cheia de espinhos, olhos e tudo o mais, seus sonhos vão por água abaixo, porque o jogo não te deixa fazer isso. E não tem absolutamente nenhuma razão para isso, exceto talvez evitar sobrecarregar o computador. Mas e se nós tivermos computadores bons? Por que temos de sofrer por algo feito pensando nos computadores ruins? Desativem o medidor, caramba! Se eu estiver jogando em um computador ruim, eu vou perceber que o jogo vai começar a ficar lento depois de adicionar muitas partes, e meu bom senso vai me fazer tirar algumas. Então, basicamente, não tem por que o medidor estar ali. Há quem diga que é para tornar o jogo justo, sem ficar muito difícil, mas é besteira. Se fosse para o jogo ser justo, não haveria criaturas indestrutíveis andando pelo planeta da sua criatura, com a altura de um prédio e que podem te matar com um único golpe.

Você sabe bem de quais eu estou falando. Sim, eu sei que essa foto é do estágio tribal e não do de criatura, mas dá na mesma, eu só queria mostrar a criatura épica.

Outro problema com o estágio de criatura é que ele é chato e repetitivo. Basicamente, você precisa acumular pontos o suficiente para chegar até o fim do estágio, e você faz isso derrotando outras criaturas, ou socializando com elas. Lutar é difícil e mal feito (os controles são simplistas demais), e socializar é chato, repetitivo e insosso. Na dúvida, eu costumo escolher a segunda opção, pois ela costuma terminar menos com minha criatura morrendo.

Quando você finalmente consegue acumular pontos suficientes, chega a hora do…

Estágio Tribal: Já jogou qualquer game de Estratégia em Tempo Real? Como por exemplo, Age of Empires? Então, imagine que alguém resolvesse tornar o Age of Empires simples e idiota o suficiente para que uma criança de 2 anos conseguisse jogar. O Estágio Tribal é isso, depois de ser triturado a ponto de retirar as partes que ainda pudessem ter alguma complexidade. Você controla uma tribo de criaturas como a que você controlou no estágio anterior, com a missão de interagir com as outras tribos do mapa. Para isso, você pode derrotá-las com agressão, ou formar alianças com presentes e música. Independentemente de qual dos dois você vai escolher (armas ou instrumentos), você precisa comprar esse material. E a moeda para isso é a comida. Lembra como em jogos de Estratégia em Tempo Real você costuma ter em média três moedas, que costumam ser comida, madeira, e ouro ou pedra? Então, em Spore é só a comida. Eu ainda não entendi como posso montar lanças usando os ovos que coletei de criaturas selvagens, ou como posso fazer cabanas de frutas, ou maracas de peixes. É totalmente irracional, e poderia ser mais elaborado, se os produtores simplesmente se esforçassem um pouco.

Uma tribo dançando ao redor da fogueira.

Depois de resolver seus negócios com as outras tribos, chega a hora do…

Estágio de Civilização: Basicamente, os produtores pegaram o estágio tribal e adicionaram um detalhe aqui e outro ali. A partir de agora, a sua moeda única deixa de ser comida e passa a ser especiaria, um gás natural que sai de vulcões. Além disso, agora você deixa de ter só uma pequena aldeia e passa a controlar cidades, sendo que seu objetivo é assumir o controle de todas elas, seja pela guerra, pela economia ou pela luta religiosa, que é praticamente guerra com outro nome. No geral, é uma versão melhorada do estágio tribal, com algumas coisas a mais para ficar mais divertido, como o fato de que você passa a controlar tanques, navios e aviões, e constrói casas, prefeituras, fábricas e centros de entretenimento. E tudo isso, naturalmente, tem a aparência determinada por você, como foi aplicado antes com as criaturas. É na minha opinião um estágio com muito potencial, e o mais bem estruturado do jogo.

Você pode até criar um hino para a sua nação.

Estágio Espacial: Supostamente, tudo que você jogou dos outros estágios serviu apenas como uma introdução para esse. Sua civilização alcançou uma unanimidade mundial, sem diferenças entre países, e então ela constrói uma nave (mais uma vez, você decide como vai ser) para explorar a galáxia. Durante essa fase, você vai encontrar raças alienígenas, criar colônias em planetas estéreis, utilizar ferramentas que mexem com o clima para criar vida em planetas que supostamente só possuem vácuo, guerrear inúmeras vezes, buscar artefatos valiosos, desbloquear dezenas de acessórios para sua nave, e tentar chegar ao centro da galáxia, para tentar entender melhor de onde veio a sua existência.

Você pode explorar todos os planetas da galáxia. E são muitos. Mesmo.

Nesse processo, você vai encontrar criaturas extremamente hostis chamadas Grox, que guardam todos os planetas próximos do centro da galáxia. Eles são detestados por todas as outras raças, e detestam todas elas. Só vivem em planetas mortos (que irônico), e atacam qualquer um que se aproxime. Você pode até tentar virar aliado deles (facilita muito sua jornada para o centro da galáxia), mas é algo bem complicado, e consequentemente todas as outras raças alienígenas vão te odiar tanto quanto odeiam os Grox, o que pode ser bem frustrante.

Eu sei que os Grox são os vilões, mas admita que eles mais parecem bichinhos de pelúcia. Bichos de pelúcia ciborgues que querem dominar o universo, mas bichos de pelúcia mesmo assim.

Uma premissa básica de Spore é que o universo do jogo pode ser recheado de criaturas feitas pelos outros jogadores, e que ficam armazenadas em um banco de dados online chamado Sporepédia. O interessante nisso é que você quase nunca vai encontrar a mesma criatura em dois jogos diferentes. Além disso, a galáxia é gigantesca (Will Wright disse que você pode jogar por 70 anos e ainda assim não ver todos os planetas), então pegar os milhões de criaturas da internet é realmente o único jeito de popular o mundo de Spore. Curiosamente, os desenvolvedores do jogo conseguiram fazer com que o arquivo das criações (veículos, prédios, naves, criaturas) pesasse tanto quanto um arquivo de imagem minúsculo (alguns KiloBytes), o que significa que mesmo baixando milhões e milhões de criaturas, seu computador dificilmente ficará sobrecarregado.

A galáxia é enorme e cheia de coisas para descobrir

O problema com o estágio espacial é o mesmo de todos os outros estágios. Ele é simplificado demais. Ok, ok, talvez não tanto quanto os outros estágios, mas ainda assim ele é. As relações entre raças, o tratamento de biomas alienígenas, a exploração de planetas, tudo isso era mais complexo nas primeiras demonstrações do jogo, quando ele ainda estava em estado de desenvolvimento. Mas curiosamente, depois disso ele regrediu. Qual é o problema, Wright? Vocês tiveram cortes de orçamento? Até onde eu saiba não.

Eu sei que foi lançado um pacote de expansão recentemente que permite que você desça da nave e faça missões bem interessantes em planetas alienígenas, mas caso eu consiga tempo para jogar isso, falarei dele em outra análise.

Mas resumidamente, embora não seja tão bom quanto eu esperava, Spore é uma idéia muito interessante, e embora ele tenha falhas imensas, eu recomendo que você compre. Só os criadores de criaturas, veículos e prédios já são um motivo mais do que suficiente para você jogar. Quanto a mim, eu tenho certeza que Spore 2 vai corrigir muitas das falhas, e Spore 3 é que vai ser o jogo quase perfeito (pelo menos foi assim que aconteceu com The Sims).

Frase Final: Como você irá criar o Universo?

Obs: Uma segunda parte dessa análise foi publicada para acrescentar alguns comentários. Leia essa parte aqui.

  1. ai mano , eu acredito que cada um tem seu gosto.
    mas cai entre nois vc abuso demais acho melhor vc rever essa para ai ta tudo errado.

    • diegolomac

      Sim, cada um tem seu gosto, e como eu disse, eu acabei gostando do Spore (apesar de tudo). E me diga o que está errado, dizer “tá tudo errado” é impreciso, e como uma opinião pode estar errada? Não existe certo ou errado em opiniões, simplesmente a minha, a sua e a dos outros. Agora, se você acha que eu escrevi algo sobre o jogo que não é verdade (que ele tem algo que não tem, e vice-versa), nesse caso é um erro no meu argumento, e eu agradeço por apontar isso. Mas me diga exatamente onde, por favor.

  2. bom… …eu sei que o spore tem milhões de falhas… …mas eu ainda acho o spore o jogo mais legal do mundo!!! 🙂

  3. se você tiver um msn me passa? por favor! 😀

  4. Outro ninguem no mundo

    Penso exatamente da mesma forma. Não sei se foi o marketing ou minha ansiedade que me fizeram esperar muito mais de Spore, mas com certeza me decepcionei em diversos aspectos ao longo do jogo (principalmente com os Grox -_-). Will teve uma ideia realmente muito inovadora quando pensou em Spore, mas seja lá qual foi o motivo ele não deixou o jogo 100% perfeito. Faze o que né, mas na minha opinião tais “falhas” são exageradamente óbvias para serem consideradas erros ingênuos ou ideias ruins de programadores, definitivamente houveram motivos obscuros para que o jogo fosse liberado dessa forma. Qualé, tudo bem que o jogo em si é muito bom e tals, eu concordo com isso tambem e jogo até hoje, mas todos esses incomodos ditos (e praticamente a maioria baseado na falta de complexidade e limitações em diversos niveis) são visiveis a qualquer jogador mais exigente, e não é aceitável a possibilidade de que uma equipe experiente no ramo tenha simplesmente feito o jogo dessa forma sem algum motivo intencional.
    Um salvo a todos e feliz 2017!

  5. o mestre da macaca

    O cara (outro ninguém no mundo) é mesmo do futuro sim ele veio do nivel espacial.

    • diegolomac

      Eu fiquei olhando esse comentário antes de aprovar a publicação no blog, e sinceramente ainda não consegui entender se era um cara fazendo piada do outro, um cara fazendo piada dele mesmo sobre outro pseudônimo, ou se nem era piada.

  6. o mestre da macaca

    Que eu conheça Spore é o melhor jogo do universo se tiver melhor me digam. Orkut: igorhbduarte@gmail.com (Igor Rendori)

    • diegolomac

      Então você não conhece muitos. Eu nem preciso lembrar de jogos velhos para achar jogos muito melhores. Batman: Arkham Asylum, Bioshock 1 e 2, Sims 3 (que aliás é do MESMO CARA), Brütal Legend, e uma lista horrendamente longa que eu posso te mandar por e-mail depois. Só para você ter uma idéia, de todos os jogos que eu já analisei neste blog, só uns 3 são ruins. Todo o resto é realmente bom, porque eu simplesmente não tenho saco de escrever uma análise sobre um jogo que eu ache que não tem nenhum direito de existir.

  7. Eu sou ALIADO do imperio mais assassino da galaxia Os grox

  8. Ninguem sou eu

    O spore foi um dos melhores jogos q por é muito legal
    claro q ele não tem um monte e coisas e essas coisas foram para em falhas graves
    eu sofiquei sabendo desse jogo pelo meu tio q me mostro varios jogos entre eles o spore
    O Will Wright vai tem q fazer o spore 2 se não fizer eu cavo um buraco jogo todos os jogos dele e seu acha will sela dus cafunde jogo junto tampo aperto o detonador!!!!!!!!!!
    kkkkkkkkkkkk
    acho q exagerei

    falow um abraço pra vcs

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