Psychonauts

Às vezes, quando o mercado de jogos está em baixa, e você não consegue encontrar nada novo que não seja uma cópia descarada de Halo ou Gears of War, é bom dar uma olhada para trás e ver o que foi lançado nestes últimos anos, selecionando o que foi realmente bom, e que mereceu destaque, por tentar algo diferente, original, criativo e divertido. Porque por mais que um ou dois jogos sobre homens com armaduras gigantes e estupidamente poderosas lutando contra alienígenas que querem invadir a Terra sejam divertidos, tentar variar de vez em quando faz bem.

E é por isso que eu resolvi fazer uma análise não de um lançamento, mas de um jogo que foi lançado em 2005, chamado Psychonauts.

Esse é um dos melhores jogos que eu já vi. A pena é que foi quase um fracasso total de vendas.

Psychonauts é uma produção de Tim Schafer, um ícone dos jogos originais e estupidamente divertidos. Ele tem uma reputação considerável por nunca, nunca, nunca ter feito um jogo realmente ruim. E por isso, eu agradeço. Agora, pelo fato de que o mais recente lançamento dele não existe no PC (só no Xbox 360 e no PS3), meu apreço por ele desceu uns pontos ultimamente.

Senhoras e senhores, um ícone dos videogames.

Ele produziu games consagrados como Full Throttle, Grim Fandango (um dos poucos jogos de point ‘n’ click 3D que realmente prestam), Psychonauts (do qual vamos falar hoje), e o recém lançado Brütal Legend (é melhor que você lance esse jogo para PC em algum momento nos próximos anos, Schafer, sério):

Os principais jogos de Tim Schafer. O que pode estar esperando no horizonte?

Mas de qualquer forma, foco na análise:

Psychonauts conta a história de Razputin Aquato, um jovem com poderes paranormais que foge do circo e de seu pai (que é trapezista, e queria o mesmo futuro para seu filho) para poder virar um Psychonaut (um agente secreto psíquico que utiliza seus poderes para proteger o mundo). Para isso, ele vai para o acampamento Whispering Rock, que além de ser uma colônia de férias para crianças, é o centro de treinamento mirim para aqueles que no futuro querem virar Psychonauts.

Porém, depois de algum tempo no acampamento, coisas estranhas começam a acontecer. O treinador das crianças age como se escondesse alguma coisa, e os cérebros das crianças começam a ser raptados. Uma parte realmente hilária é a em que as crianças descerebradas que viram zumbis ficam falando sempre o mesmo mantra “TV… TV…”, uma abordagem bem-humorada de Schafer e também uma crítica inteligente sobre o que a televisão faz às crianças.

Obviamente, eu não vou contar o final do jogo (embora eu já tenha feito isso em outras análises, Psychonauts é um jogo tão interessante que realmente não vale a pena estragar a surpresa, mesmo que seja para fazer uma análise), mas o que eu posso dizer é que, embora seja óbvio quem é o culpado pelos sequestros já na metade do jogo, ainda assim o fim é extremamente inesperado e interessante. Uma das melhores características de Schafer é a habilidade que ele tem em montar histórias envolventes, com personagens cativantes e com quem possamos nos identificar. E além disso, os controles são intuitivos e fáceis de usar (pelo menos na versão para PC, não sei como é no Xbox), e como eu já disse, um bom jogo é caracterizado por balancear história e jogabilidade, e visto que ambos são bons, Psychonauts não pode ser classificado como nada além de um jogo extremamente bom.

Os professores do acampamento Whispering Rock.

O grande trunfo de Psychonauts são os cenários em que ele se passa: embora você parte uma boa parte do jogo no acampamento, as partes que realmente têm emoção se passam dentro das mentes das pessoas. Sim, você entra nas mentes, e vê mundos completamente diferentes lá dentro, cada um refletindo a vida e a personalidade de seu respectivo dono. Por exemplo, uma pessoa que gosta de se divertir teria uma mente com o formato de uma festa gigante. Ou então, o descendente complexado de Napoleão Bonaparte teria em sua mente uma batalha épica contra o seu antepassado. E por aí vai.

Os poderes paranormais são bem fáceis de usar, e vão evoluindo à medida que você avança no jogo. Cada poder novo é toda uma nova gama de possibilidades para se usar em combate ou locomoção. Você pode soltar lasers pelos olhos, levitar, fazer as coisas pegarem fogo com a força da mente, ver o mundo pelos olhos dos outros, levantar objetos com a força da mente, e por aí vai.

Todos os personagens são divertidos e originais, e é muito fácil de simpatizar com eles, porque as personalidades são sólidas e bem construídas, algo que é muito raro de se ver em jogos hoje em dia. Infelizmente, é comum pensar que colocar uma boa personalidade tira a ação, mas Psychonauts prova o contrário. A única coisa que chega a ser um um pouco irritante é a caça ao tesouro. Para poder melhorar seus poderes, você deve encontrar objetos perdidos tanto pelo acampamento quanto pelas mentes, e por mais que seja uma idéia interessante, isso pode ser extremamente frustrante, quando você quer conseguir logo um poder legal para avançar no jogo, mas precisa ficar fuçando todo e cada canto do cenário. Não me entenda mal, exploração é algo muito divertido nos games, para quem gosta de apreciar o cenário, mas fazer isso uma parte essencial da jogabilidade acaba irritando alguns.

Mas novamente, eu digo que Psychonauts é uma obra-prima. Infelizmente, ele foi um completo fracasso de vendas, o que lhe rendeu o prêmio “Melhor jogo que ninguém jogou”, do site Gamespot. Se você quer que o mercado de jogos tenha um incentivo para evoluir, para se tornar algo melhor e mais promissor do que é hoje, compre esse jogo. Você não vai se arrepender. Se não encontrar nas lojas, compre pelo Steam, ele está lá, e é relativamente barato. Quem sabe, se uma quantia considerável comprar, Schafer não fica inspirado e faz uma continuação?

Um dia, talvez um dia...

Frase Final: Gesundheit!!! (jogue pra entender…)

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