Prototype

Como eu deixei claro na minha análise de Batman: Arkham Asylum, é muito difícil conviver com ser um monstro musculoso que consegue rasgar um carro ao meio. Não porque seja complicado usar esse poder nas lutas, mas porque é complicado saber o que fazer com isso quando você não está lutando. Como diabos o Bruce Banner se viraria se ele fosse o Hulk o tempo todo? Já pararam pra imaginar como ele conseguiria levar uma vida comum, indo fazer compras, levando o cachorro para passear? Ou nos momentos calientes?

Enfim.

Já imaginou como ele coçaria o nariz, se não conseguisse reverter a transformação?

Em Prototype, você controla Alex Mercer, um homem com amnésia que se encontra em uma Nova York infectada por um vírus capaz de mutar as pessoas e transformá-las em monstros incontroláveis. Ao mesmo tempo, Alex é um desses monstros, e enquanto luta contra o exército e outros mutantes, ele precisa descobrir o responsável por essa infecção, e dar um jeito de pará-la. E isso é basicamente tudo da história que realmente faz sentido. A trama é tão complicada e bagunçada que existe toda uma missão paralela no jogo de absorver as memórias de pessoas que talvez saibam o que exatamente está acontecendo. E o pior é que o jogo nem mesmo trata o assunto em um estilo adequado de história em quadrinhos, ele espera realmente ser um jogo sério. Quando você trata com ciência de um jeito tão estabanado assim, esperar que as pessoas te levem a sério não é uma boa escolha.

Prototype é um dos principais jogos na minha lista de aliviar stress. Existe tanto potencial para ser um completo desgraçado que qualquer ódio na vida real é completamente eliminado. Por exemplo: escale o Empire State Building, e se jogue até cair na rua, causando um pequeno terremoto local, sendo que você não sofre nenhum dano. Ou então aquele exemplo que todo mundo usa: coma um soldado, se disfarce tomando a aparência dele, e quando você entrar na base militar, acuse outro soldado de ser você disfarçado. Então, enquanto todos estiverem ocupados atirando no cara, coma eles também! Ou ainda, crie um escudo como uma extensão do seu braço, saia correndo por uma rua movimentada, atropelando todos no caminho! Acredite, não há limites para a criatividade em Prototype.

E se a coisa ficar feia, use o ataque de tentáculo que pega todos do quarteirão.

Sendo um sandbox, existem missões paralelas para serem feitas opcionalmente, mas elas não têm muita razão para estarem lá a não ser ganhar mais pontos para desbloquear outros ataques. E além disso, todas acabam se resumindo a “vá até aqui e mate todo mundo”. E matar todo mundo é algo que Alex Mercer já faz bastante na história principal. Além disso, as poucas missões que não são desse contesto não fazem muito sentido. Por que um monstro tentando desvendar uma conspiração militar resolveria parar por um instante para tentar descobrir o quão rápido ele consegue escalar um prédio?

Os visuais são bem interessantes, com cada poder e ataque tendo suas próprias características, e as criaturas infectadas têm um jeito realmente bem orgânico, muito interessante. O cenário é bem grande e variado, mas assim como nos jogos do Homem-Aranha, isso não rende pontos, porque eles simplesmente pegaram o mapa de Manhattan e criaram retângulos para os prédios. Mas ainda assim, é bem interessante roubar um helicóptero e subir o máximo possível para ver a cidade inteira (ainda que na altura máxima a neblina te impeça de ver algo três palmos à sua frente.

A inteligência artificial do jogo é completamente estúpida. Houve momentos em que eu simplesmente fiquei parado no meio da rua, e um carro freiou na minha frente, para ser atropelado por outros 3 carros que estavam vindo atrás na velocidade máxima, causando explosões e matando vários civis. “Bem”, eu pensei, “eu nem estou precisando me esforçar aqui, todos são tão retardados que conseguem se matar sozinhos”. Isso sem contar as centenas de militares que tentam dar um jeito em você, no mesmo sentido que um pedaço de pão tenta dar um jeito em um peixe.

Huh. Eu nem fiz nada aqui.

De qualquer forma, essa análise acaba sendo razoavelmente mais curta do que o normal, porque por mais que o jogo seja interessante, ele acaba caindo na repetição muito rápido. Sim, é interessante usar seus vários poderes para causar destruição e caos, mas não, isso não continua divertido depois de muito tempo. Quando eu parei de jogar, reparei que a única coisa que ainda estava me prendendo pelas últimas horas tinha sido conseguir desbloquear os poderes mais legais. Depois disso, eu deixei o game de lado. Ou seja, nem mesmo há um incentivo decente para você cumprir a história principal. É divertido, mas eu não te culpo se depois de umas 5 horas você já estiver entediado.

Frase Final: Me expliquem como faz sentido você ser o cara que mata metade de Manhattan, e ainda assim o jogo te tratar como o herói incompreendido.

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  1. como mudo a maldita roupa do alex eu vi essa imagem ai do `eu nao fiz nada aki´ele tava usando outra roupa?como faço isso?

    • diegolomac

      É uma imagem de uma versão beta do jogo, eu só peguei porque ilustrava bem o que eu queria dizer. Na versão final, é só a roupa das outras fotos mesmo.

  1. Pingback: Análise de Prototype Publicada « Virtualmente Interessado

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