Overlord II

Eu estava querendo analisar o Overlord II já faz algum tempo. Várias coisas contribuíram para isso. Em primeiro lugar, eu vi que a opinião geral sobre o jogo era muito incerta: alguns adoravam, outros detestavam. Depois, eu pensei: “Pera, é Overlord dois, certo? Dois. Isso quer dizer que o primeiro deve ter sido bom, senão não fariam uma continuação”.  E eu verifiquei que praticamente nada tinha mudado do primeiro jogo para o segundo, tirando o fato de que seus lacaios (o nome no jogo é minions, mas vou chamar de lacaios) passaram a poder andar em montarias.

De qualquer forma, eu sempre achei que se fingir de senhor supremo do mal em um videogame é a definição de uma ótima idéia. Afinal, em videogames você pode ser o que quiser, desde um explorador das savanas até um Jedi. E às vezes, ser um vilão fantástico é muito divertido. Ouçam minha risada maléfica: HAR HAR HAR HAR HAR.

Deuses, como esse jogo é ruim.

Alguém mais se lembra do Pikmin quando olha pra esse jogo?

Vocês sabem que eu não sou o tipo que se incomoda muito com alguns defeitos em um jogo. H.A.W.X tinha vários problemas na história, Dwarf Fortress tinha controles péssimos, Batman: Arkham Asylum tinha alguns momentos em que era difícil saber o que devia ser feito, e ainda assim eu considero todos ótimos jogos, porque os defeitos eram insignificantes perto das qualidades do jogo. Mas eu estou jogando Overlord II há três semanas, e ainda não consigo descobrir onde diabos estão as qualidades dessa porcaria. A idéia é boa, como eu já disse. A história é bem feita, os gráficos são bem construídos, criando um mundo bonito de se ver. Mas tudo isso se torna insignificante perto dos gigantescos defeitos que o jogo possui.

Esse cara no mínimo assina as mesmas revistas de moda que o Sauron.

A história é basicamente a seguinte: depois do fim do primeiro jogo, a Torre das criaturas da Overlord foi destruída, e o Overlord passou a residir em uma fortaleza num mundo inferior. Depois do Overlord partir, os lacaios (as criaturas que te obedecem) passaram por um período sem mestre. Quando você, o novo mestre, chega para tomar o trono, o mundo está passando por transformações, e há um império (absurdamente parecido com o romano) tentando destruir tudo que tem relação com magia. Cabe a você fazer a fama do Overlord voltar, e destruir o império. Uma coisa que foi minimamente interessante foi o fato de você começar o jogo como o Overlord criança, ou o Overlad. Mas daí pra frente tudo foi ladeira abaixo.

Eu não ficaria perto desse garoto.

Depois de crescer, você começa a procurar tudo que era seu por direito e foi por acaso perdido: pedras de forja, relíquias, colméias de lacaios, etc. E à medida que você vai adicionando coisas para a sua fortaleza é que começa a perceber como o jogo é vazio e sem sentido. Veja bem, se você por acaso gostava de um lacaio que morreu em particular, é possível ressucitá-lo, pelo preço de outros lacaios, proporcionalmente a quão bom em batalha o lacaio morto era. O problema é que não há uma razão possível para você se apegar a um lacaio a ponto de fazer isso. Se você realmente se apegou, então você é provavelmente aquele tipo de pessoa estranha que gosta de dar nomes aos móveis da casa. E se você me disser “Mas Diego, ressuscitando lacaios antigos você pode manter seu exército com lacaios fortes e de nível alto”, eu vou responder “Vá se danar. Se você simplesmente fizer seus lacaios de baixo nível lutarem, eles vão chegar a um nível alto, fazendo o processo sair de graça, e demora quase tanto tempo quanto do outro jeito, porque só para você chegar no lugar em que pode ressuscitar lacaios, passam-se quase 5 malditos minutos, ou até mais, dependendo de onde você estiver.

Outro exemplo: à medida que você avança no jogo, algumas mulheres se mudam para a sua fortaleza subterrânea e passam a viver lá, como suas esposas. E os lacaios mais sábios dizem que você deve mantê-las felizes, comprando novos móveis e decoração para a fortaleza. O problema é que isso é extremamente caro, e na verdade, até onde eu vi, se você não comprar as coisas, nada de ruim acontece. Além disso, para que diabos você vai querer escolher móveis para seu quarto, quando poderia estar lá fora, escravizando aldeões e tomando o mundo?

overlord22.jpg

"Que se dane a fortaleza, vamos dominar o mundo!"

A única coisa que salva um pouco o jogo são os lacaios. Embora eles não sejam amigáveis nem possíveis de se apegar, são engraçados, de uma maneira bem sarcástica, com humor negro salpicado aqui e ali. E são codificados por cor para a sua conveniência: marrons são os básicos de combate, vermelhos atiram bolas de fogo, verdes podem envenenar, e azuis curam e passam por campos de magia que matam todos os outros lacaios (e você) em segundos. Mas ainda assim, é difícil gostar totalmente dos carinhas, porque o controle deles é simplesmente horrível. Você controla as suas hordas segurando os dois botões do mouse e arrastando-o. Tente fazer isso por um instante. Segure os dois botões do mouse e imagine que você está controlando uma pequena multidão, que por estar em um ambiente 3D controlado por uma interface 2D (o mouse), nunca vai na direção que você realmente queria, e nem sempre se mexe em linha reta, não importa o quanto você tente. Gostou? Nem eu.

Os diferentes tipos de Minions (ou Lacaios)

Mas todos esses aspectos ruins poderiam ser perdoáveis. Não, não foram eles que estragaram o jogo. O que realmente me fez desligar o jogo e fazer algo mais interessante como arrumar minha estante, foi o péssimo design de desafios. Veja bem, às vezes o game te diz “destrua o barracão”, ou “traga os lacaios azuis”, mas nunca aponta para onde diabos você deve ir para fazer isso. E quando te dá uma vaga direção, normalmente os caminhos estão entrelaçados como um labirinto, e você passa meia hora tentando descobrir para onde diabos deveria ir. Ou seja, até lá, você está cansado, frustrado, e o verdadeiro desafio ainda nem começou, pois até agora você só chegou no lugar onde devia estar o desafio. É nesse momento que você percebe o quanto isso está te entediando, desliga o jogo, roda o desinstalador, puxa o PC da tomada, abre o gabinete, arranca o HD e o queima para o deus Rá, para destruir a memória deste jogo para sempre.

"Para onde diabos eu tenho que ir?!"

Frase final: Só compre esse jogo para dar de presente de amigo invisível para aquele cara que você acha um tremendo chato.

  1. Huahuahua xD
    Poxa, joguei um pouquinho do Overlord : Dark Legend hoje
    Parece legal
    Mas esse lance de você não saber onde tem que ir pra completar a quest é ruim msm e eu fiquei hoje um tempão procurando a tal da cozinha que eu tinha que ir😄
    E qdo tive que voltar nela me perdi tbm e não sabia onde era, afinal, eu tava num castelo, poxa >.< Mó grande, cheio de cômodos…
    Mas o jogo parece legal ^^

  1. Pingback: Análise de Overlord II publicada « Diego Machado: A recompensa está no fazer.

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