Just Cause 2

Uma das coisas que a indústria de games está finalmente percebendo é que nem sempre realismo é uma boa idéia. Jogos passaram anos tentando ser mais realistas, se você se jogasse de um precipício, você se estatelaria realisticamente no chão.

Pfff, que chato.

Felizmente, temos aqui um espécime que só dá um tapinha nas costas do realismo antes de decolar a toda para a terra da diversão.

Just Cause 2 é um jogo sandbox onde você joga como Rico Rodriguez, um Highlander que alimenta sua imortalidade por meio de quedas de lugares bem altos. Bom, ok, talvez não seja nada disso, na verdade ele só é um agente da CIA que está em uma missão para derrubar uma ditadura em uma ilha no Oceano X, mas sinceramente, eu não me lembro de já ter visto agentes da CIA surfando em cima de um jato de caça para depois pular dele no último segundo enquanto o avião se espatifa no chão em cima de um grupo de soldados. Em nenhum momento é explicado por que você tem que derrubar o ditador, não que precise de muita razão. Como a descrição acima já sugeriu, é natural que a primeira coisa que um jogador faça em um jogo de mundo aberto é tentar ferrar com esse mundo.

A propósito, chamar Just Cause 2 de um sandbox (jogo de mundo aberto) não faz juz a ele. Se você consegue imaginar um terreno de 1000 km², que você provavelmente precisaria explorar durante dois anos e vender sua alma para conhecer todos os detalhes escondidos, esse é o tipo de sandbox em que Just Cause 2 se encaixa. Você pode dirigir por horas admirando o cenário (que é muito bonito aliás), até eventualmente ficar entediado e começar a explodir coisas.

Just Cause 2 se destaca entre outros jogos de tiro da atualidade por dizer “vá se ferrar” com todas as letras para o realismo. Rico Rodriguez tem uma arma de gancho que ele pode usar para se puxar para qualquer superfície, ou puxar inimigos para perto dele, puxar inimigos para fora de sacadas para que eles caiam, prender inimigos atrás do seu carro ou moto e sair dirigindo e arrastando eles pelo asfalto, prender o carro inimigo em alta velocidade ao chão e vê-lo capotar e explodir, prender um inimigo a um cilindro de gás, atirar no cilindro e vê-lo puxar o inimigo em direção ao céu como um foguete… enfim, você tem muitas alternativas para experimentar, o que impede o combate de ficar monótono.

Rico também tem uma mochila que desafia o contínuo espaço-tempo, pois contém um número infinito de pára-quedas. Não que você precise usá-lo muito, porque você pode, no meio de uma queda, atirar sua arma de gancho no chão, se puxar para ele e não sofrer nenhum dano. Sim, isso mesmo que você ouviu, a melhor forma de sobreviver uma batida contra o chão a 60 metros por segundo é bater nele ainda mais rápido.

Just Cause 2 é um jogo para vagabundear. Você desbloqueia as missões principais fazendo missões secundárias, e você desbloqueia as missões secundárias explodindo propriedade do governo e coletando itens espalhados pelo mundo. Mas quando você resolve tomar vergonha na cara e realmente fazer missões, elas são todas muito parecidas. Você vai até um lugar, mata tudo que se move, explode tudo que tivar a estrela do governo pintada nele, e coma um bolinho para comemorar porque acabou. Existem algumas partes de missões que são o máximo, como quando você precisa destruir misséis que já foram lançados, e surfa de um para o outro usando seu gancho no meio do céu, ou quando, logo depois de matar três ninjas com metralhadoras (juro que não inventei isso nem fumei nada) faz uma perseguição em alta velocidade no meio de um lago congelado enquanto um submarino nuclear atira mísseis em você. Mas no geral, a fórmula básica é a mesma. As piores são as tomadas de fortalezas, que você precisa fazer para desbloquear território, porque são as mais rotineiras e repetitivas: entre na base, mate os guardas que aparecem na sua frente, exploda o helicóptero que inevitavelmente vai aparecer no final, e fim. É preciso muito esforço para deixar destruição em massa monótona, e não acho que é uma boa ideia.

Se eu tenho uma crítica a fazer, é a compra de itens pelo mercado negro. Por alguma razão é muito difícil conseguir armas e munição fora de missões, então você precisa chamar o vendedor do mercado negro para comprar itens novos com o dinheiro que você recebeu nas missões. Para isso, você seleciona o mercado negro, chama o seu contato, vê a cena do helicóptero chegando, escolhe a categoria, escolhe o item, vê a cena do helicóptero fazendo a entrega e indo embora, e finalmente pega o item. E você não pode comprar mais de uma coisa de cada vez, então se quiser, digamos, uma arma nova, granadas e um veículo, tem que fazer esse processo três vezes seguidas. É. Um. Saco.

Mas no fim das contas, Just Cause 2 é muito divertido. Na verdade, é tão legal de se ver que eu costumo jogar com meus amigos quando eles vêm em casa, mesmo sendo que não há modo multiplayer. Nós revezamos as vezes e os outros só ficam assistindo.  O mapa é gigante, mas é meio grande demais. Se ele tivesse um décimo do tamanho que tem, nada seria perto em questão de conteúdo, ainda mais porque muitas das cidades e bases militares são tão parecidas que eu juro que foram copiadas e coladas. No entanto, definitivamente vale a pena.

Frase Final: Nem tente pousar aviões, isso precisa de um pouco mais de sutileza do que o jogo permite, já que não envolve nada ser morto.

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