Gigantes de Aço

Clichês são o máximo, não é mesmo? Seja em filmes, em games, em livros ou em histórias em quadrinhos, nós sempre damos um sorrisinho de satisfação por adivinhar que o conselheiro do rei que tinha um cavanhaque era o vilão, pelo mocinho conseguir entrar na fortaleza inimiga disfarçado (ou às vezes, pela saída do esgoto), e por aí vai. Nós sentimos que de alguma forma, saber o que vai acontecer nos dá uma espécie de poder acima de quem não sabe. E é inevitável encontrar um clichê ou dois em praticamente qualquer produto de qualquer mídia.

Mas existem aqueles que são uma tempestade de clichês do começo ao fim. Filmes onde você consegue prever as duas horas seguintes olhando apenas para o trailer e os cinco primeiros minutos. E Gigantes de Aço é assim: uma história previsível, básica, com todos os clichês de filmes de boxe, histórias de robôs ganhando vida, e de pais e filhos recuperando o relacionamento que você puder imaginar. Clichês são tudo que sustenta esse filme.

E eu amei cada segundo dele.

Gigantes de Aço conta a história de Charlie Kenton (Hugh Jackman), que tinha sido um grande lutador de boxe no passado. Mas a história do filme se passa em um futuro não muito distante, onde o boxe entre humanos caiu no esquecimento e a moda passou a ser boxe entre robôs humanóides. Charlie passou então a controlar robôs em lutas, mas ele tem uma personalidade autodestrutiva e acaba ficando cada vez mais quebrado financeiramente. Até que de repente, ele é forçado a ficar com o filho que ele abandonou quando ainda era bebê (quando o filho era bebê, não o Charlie). E o garoto adora lutas de robôs.

Eventualmente, os dois encontram um robô de sparring chamado Atom em um ferro-velho. O garoto quer treinar o robô para lutar e… você provavelmente já deduziu o resto. Não chega a ser um spoiler porque é totalmente previsível. O robô começa a ganhar todas as lutas, pai e filho começam a reconciliar, acontece alguma coisa que os distancia novamente, mas no começo do terceiro ato eles reconciliam de novo e colocam o robô para lutar contra o campeão mundial.

Mas ainda assim, eu tenho que admitir que me diverti muito enquanto a história se desdobrava na minha frente. Sim, a história é básica e tem clichês em todas as partes – um dos mais extremo é que a dona do robô campeão mundial é uma milionária russa, e o treinador do campeão diz “Tudo que ele vê, ele mata”, que é um plágio descarado da fala “Tudo que ele toca, ele destrói” em Rocky IV – mas dá para ver que o filme foi feito com paixão.

Hugh Jackman atua muito bem, ao ponto de eu conseguir levar toda a trama ridícula a sério. O ator que faz o filho também é bom, mas ele tem um problema muito evidente. Eu chamo de “Síndrome de Fred Savage”. Lembram do Fred Savage, o ator que fez Kevin em Anos Incríveis? Bem, se você assistir alguns filmes com ele, especialmente O Gênio do Video Game, você vai perceber algo estranho: nenhuma criança naquela idade fala daquele jeito. Ele tem o vocabulário de um homem de 30 anos. Eu me recuso a acreditar que qualquer criança de 11 anos (a idade do filho do Charlie no filme) fale daquele jeito. O único momento em que ele soou normal foi quando estava assistindo pela primeira vez uma luta de robôs da liga e ficou todo histérico falando sobre como era o máximo.

A outra coisa que me fez ter vontade de bater a cabeça na parede foi a trama secundária do filme, que basicamente trata do robô Atom supostamente ter alma e ganhar as lutas por força de vontade. Agora, eu gostei de Wall-E quando assisti, mas lá aquilo era apropriado porque todos os robôs tinham personalidade. Aqui só é idiota, porque nenhum dos outros robôs do filme inteiro dão qualquer sinal de que podem ter vida. Tem uma cena em particular onde a cabeça do robô fica virada para um espelho que supostamente deveria ser emocionante, mas não era nada além de ridícula.

Mas como eu disse, apesar dos clichês, eu me diverti imensamente com o filme. Provavelmente parte disso se deve ao fato de que eu assisti com a platéia certa: eu vi uma sessão de pré-estréia, então todos que estavam lá realmente queriam estar lá, e não tinham escolhido o filme simplesmente porque não tinha nada melhor passando. E como consequência, toda vez que um robô acertava um soco realmente bom todo mundo fazia “Uuuuuuuhhhh!!!!”. E eu admito que também fiquei sentado na ponta da minha cadeira e sorrindo durante toda a luta final.

Então, se esta análise te deixou interessado, você provavelmente vai gostar do filme. Se você achou a premissa do filme tão idiota que nada poderia prender sua atenção, evite esse filme como a praga.

Frase final: Eu queria saber por quê todas as vilãs bonitas têm que ser péssimas em Relações Públicas.

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