Fúria de Titãs

A Grécia Antiga é um dos temas mais populares para aparecer em filmes, dividindo espaço com ficção científica, a Segunda Guerra Mundial, e comédias românticas insossas com Hugh Grant e/ou Sandra Bullock (embora eu admita que gosto da maioria delas). E ainda assim, é bem difícil encontrar um filme que faça jus completamente à Mitologia Grega, mostrando todas as criaturas e deuses em um cenário incrivelmente épico, algo que você pensaria que é fácil de fazer, já que é basicamente o pilar que segura todo o cinema atual (pretendo ver Robin Hood em breve e confirmar se a inclusão do senso épico deixou ele tão ruim quanto as pessoas estão me dizendo).

A pergunta principal a ser feita é: Fúria de Titãs consegue acertar na fórmula? Bem, eu admito que ele é bem empolgante e cheio de monstros que garotos da minha idade gostariam de ter no quintal de casa por mais asquerosos que sejam. Mas ainda assim, ele não consegue acertar coisas o suficiente.

Você não faz idéia de como é difícil achar fotos da versão nova desse filme.

Fúria de Titãs é um remake do filme de mesmo nome da década de 80 (um filme com efeitos especiais tão nojentos que você só aguenta alguns minutos antes de arrancar seus olhos fora), e conta a história de Perseu, um semideus filho de Zeus, que precisa derrotar Hades e restaurar o Status Quo do Olimpo, porque isso é o que sempre acontece. Eu queria saber quem foi que fechou a idéia de que Hades é o deus do Mal só porque é o senhor do submundo. Ele teve muitas participações benéficas durante a mitologia grega, mas aparentemente Hollywood resolveu misturar os ideais da Mitologia Grega com a Mitologia Nórdica, transformando o Hades em Loki.

Voldemort ganha cabelo e um nariz, e vai mexer com a cabeça dos deuses do Olimpo.

O cenário da trama geral do filme não é exatamente criativo. Zeus acha que os mortais estão desprezando demais os deuses, e dando ouvidos a Hades (apesar de Hades nesse filme não poder ser definido de nenhuma forma que não “igual ao Língua-de-Cobra do Senhor Dos Anéis”, o que me faz pensar como Zeus pode ser tão imbecil), resolve punir a humanidade por isso. Hades pretende trair Zeus (que surpresa!) e soltar o Kraken sobre a humanidade (e até onde eu saiba, o Kraken devia ser um polvo gigante, não uma versão alterada do Cthulhu).

Ou um monstro do jogo Gears of War (sério, é parecido pra caramba, procure no Google).

Os efeitos especiais do filme são, sim, muito bonitos. Mas o problema é que fica visível que o filme só foi feito por causa dos efeitos especiais, em vez de ser o contrário. Além disso, é um filme que idealmente é feito para ser visto em 3D (até tem o mesmo ator protagonista de Avatar), mas como o cinema da minha cidade não tem salas 3D (e só passa filmes dublados, um fato que eu não me canso de ressaltar com puro ódio), eu dessa vez pude realmente analisar o filme pelas suas qualidades reais de trama e personagens, ao contrário do que aconteceu com Avatar. E eu sei que parece muito estranho, mas mesmo com efeitos especiais de última geração, o filme me passa a sensação de ser velho. Não sei explicar por quê, mas a atmosfera do filme realmente aponta para o original da década de 80, talvez indicando que o filme devia ter ficado naquela época.

Os personagens estão longe de serem marcantes. Perseu é o protagonista que todos já viram bilhões de vezes em filmes, games e livros: uma adaptação do Herói da Mil Faces de Joseph Campbell. Hollywood, me escute: Campbell escreveu o livro dele reunindo histórias de herói e mostrando o que costuma ser um padrão na maioria delas, mas as palavras que devem ser realçadas são costuma e maioria. Isso significa que a trama básica é mais uma linha guia do que um livro de regras a serem interpretadas a risca, mas dizer que Hollywood se guia pelo Herói das Mil Faces implica que eles fizeram algum trabalho por conta própria. Um termo melhor seria “plagia completamente com tanta falta de vergonha e cara-de-pau que eu nunca gostaria de chegar perto desses caras segurando alguma coisa de valor”.

Ainda assim, eu admito que existem alguns personagens que chegam a ser um pouco interessantes, seja pela aparência, seja pela pouca personalidade que possuem. E por personalidade, eu quero dizer um traço que eles repetem com tanta frequência que poderiam simplesmente uma camisa com estampa. O resmungão carismático. A guia sábia. Os caçadores que conhecem os segredos do mundo, mas curiosamente têm uma postura um tanto quanto atrapalhada. E por aí vai. Mas eu admito que gostei muito dos magos feitos de madeira, seria legal controlar um deles em um game.

Se a ciência puder criar qualquer ser no futuro, quero que modifiquem meu corpo pra ficar igual a esse cara. Ele é muito incrível.

Aliás, já que eu toquei no assunto, Fúria de Titãs não é tão bom como um filme quanto seria como um game. Tem realmente muito potencial, seria praticamente o novo God of War. Mas como provavelmente a indústria de games não quer um novo God of War, porque o velho God of War já consegue se sustentar muito bem por conta própria, acho que tudo que podemos fazer é sonhar com a idéia.

Frase Final: Sério, parem de se guiar tanto pelo Joseph Campbell, eu sei que Star Wars conseguiu se dar bem com isso, mas não é uma garantia de sucesso.

Aliás, eu devia enfatizar bastante. O título do filme é uma grande mentira. Não aparece nenhum titã. Seus canalhas sem escrúpulos!

  1. isso é igual ao god of war um filme deste jogo sim seria brutal

  1. Pingback: Análise de Fúria de Titãs Publicada « Virtualmente Interessado

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: