Flock!

O que faz com que um jogo seja bom? Bons gráficos? Não com certeza não. Gráficos são uma opção cosmética, e é verdade que eles podem tornar o jogo mais atraente. Uma boa história, talvez? Não também não, alguns jogos muito populares não possuem muita história, ou então não possuem história nenhuma (vide The Sims). Então, que tal uma boa mecânica? Nah, também não é tão essencial, jogos de point’n’click são absurdamente horríveis em questão de mecânica, e ainda assim fazem muito sucesso. Talvez personagens carismáticos e com os quais nós possamos nos identificar? Dificilmente. Quem já jogou God of War sem dúvida não gostou por achar o Kratos carismático, e eu nunca desejei ser igual a ele (tirando talvez quando alguém começa a pegar muito no meu pé).

O que faz um bom jogo então?

Será que uma combinação equilibrada de todas as características acima?

Sim, acho que essa é uma boa. Jogos legais não precisam ter gráficos estonteantes, tramas complexas que só caberiam em uma coleção da Enciclopédia Barsa, mecânicas perfeitas onde cada botão tem uma utilidade específica e facilmente acessível, nem personagens tão apegáveis que eu fique pensando neles horas depois de parar de jogar. Não, o que faz com que um jogo seja bom é simplesmente uma combinação balanceada de cada um desses fatores, resultando em algo divertido, viciante e que faça o jogador querer experimentar de novo.

E, como vocês já imaginaram, eu falei desse assunto porque foi assim que eu me senti ao jogar Flock! (eu já desisti de lidar com títulos de games que têm exclamações).

Flock é relativamente simples. Você controla uma nave alienígena, que deve assustar os animais da fazenda para que eles corram na direção da sua nave-mãe. Então basicamente é um jogo de quebra-cabeças, onde você deve tentar usar o cérebro (e muita coordenação motora) para conseguir atingir a cota de animais a serem coletados, e se você tiver sorte, conseguir uma abdução perfeita, coletando todos os animais em um tempo mínimo. Então basicamente a idéia de dificuldade é bem parecida com Cogs. Mas o jogo brilha mesmo é na variedade dos quebra-cabeças.

Cada animal tem suas próprias habilidades. Ovelhas podem encolher quando ficam molhadas (elas são feitas de algodão, o que você esperava? Dã!), porcos começam a rolar se correm muito rápido, andam mais rápido na lama, e gostam de chafurdar em pilhas de estrume, vacas podem pisar em pilhas de estrume (galinhas e ovelhas não conseguem passar por cima), e se correm rápido demais acabam fazendo uma debandada, galinhas podem voar por curtas distâncias quando pulam de um penhasco, e coelhos (só disponíveis a partir de um patch) se reproduzem como loucos, fazem tudo por uma cenoura, e conseguem cavar túneis.

Flock Screenshot

Sua nave também tem habilidades, podendo agarrar alguns objetos, comprimir pasto contra o chão, ou simplesmente usar um turbo para voar mais rápido por alguns segundos... ... frango. Ou melhor, galinhas. Caramba, eu estou com fome.

Além disso, cada fase tem algumas características novas para implementar no quebra-cabeça. Algumas tem monstros que querem comer os animais, outras começam com animais abaixo da cota e precisam que você faça eles se reproduzirem (não se preocupem, mãe e pai de família, o jogo tem classificação livre, mas eu me pergunto o que uma mãe e um pai de família estariam fazendo lendo meu blog), outros envolvem fazer círculos nas plantações, etc. São várias idéias bem interessantes, e implementadas de uma forma muito divertida.

É bom saber que esse jogo, ao contrário de Spore, me dá liberdade pra desenhar o que eu quiser nas plantações.

Além disso, o visual no geral do game é bem agradável. Nada de gráficos revolucionários de última geração. Tudo simplesmente parece ser feito de pano. As árvores, a nave, os animais, todos parecem bonequinhos de pano. E eu sinceramente acho que foi a melhor escolha possível. Fotorrealismo não teria a ver com o estilo de jogo, e um visual caricato, mas sem nada especial, não seria muito memorável.

Se eu por acaso tivesse que consertar alguma coisa nesse jogo, provavelmente envolveria ir até a central de desenvolvimento segurando um cartaz do tamanho de uma mesa, onde estaria escrito em letras garrafais: “Por favor faça com que os animais parem de ser retardados. Podem até ser um pouco retardados, afinal são animais de fazenda. Mas não cheguem ao nível ‘calças-na-cabeça retardado’.” Mais do que uma vez, eu passei por um momento incrivelmente estúpido, onde um bando de filhotes de, digamos, uma vaca, resolveram se acomodar atrás da mesma, e no processo caíram no mar e morreram afogados. E isso não teve nenhuma influência minha, porque eu estava a uma distância grande o suficiente para só ser visto com um telescópio.

Flock Screenshot

Fazer os animais passarem por esses labirintos é um incrível pé no saco.

Aliás, tem um modo multiplayer também, mas como meus amigos não costumam ter tempo livre nos mesmos horários que eu, não posso dar uma opinião completa sobre o assunto, mas admito que parece interessante.

Mas também parece um pouco complicado.

Então, tirando um ou dois momentos de frustração pura, Flock é extremamente divertido e viciante. Tem aquele ar de jogo indie que eu sempre gosto, mesmo tendo sido feito por uma produtora de respeito como a Capcom. Se você gosta de desafios, e está cansado dos jogos atuais, que são sempre sobre os mesmos soldados com armaduras gigantes destruindo alienígenas que querem dominar a Terra, então eu definitivamente recomendo.

Frase Final: Eu achei engraçado jogar uma ovelha fêmea no mar e assistir as ovelhas machos ficarem chorando, acho que sou um péssimo ser humano.

  1. Sério, mesmo, achei que era o navegador de mesmo nome antes de ler o texto todo…

    • diegolomac

      É, e é um inferno achar esse jogo por aí, as empresas deviam pesquisar primeiro pra ver se o nome ainda não existe em algum lugar.

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