Defcon

Vamos encarar, ninguém da nossa geração dá a mínima para guerras. Nós já jogamos Call of Duty, Medal of Honor, Age of Empires, World of Boredom, ao ponto em que se uma Terceira Guerra Mundial estourar, é muito provável que metade das pessoas que encostou em um video-game vai ser extremamente imbecil ao ponto de começar a pensar em headshots e fazer teabagging no inimigo. Eu admito que teria pouca paciência para uma guerra, porque eu tenho pouca paciência para o exército. Eu não gosto que gritem comigo, e não consigo correr em um tiroteio enquanto uso uma mochila do tamanho de uma vaca gorda. Antes de eu concordar em participar de uma guerra, todos os inimigos teriam de concordar em amarrar placas de neón em cima da cabeça, ficar totalmente parados em campo aberto, e de preferência usar como camuflagem uma tinta que brilhe no escuro. E até eles serem convencidos disso, eu provavelmente vou me lembrar que sou um gigantesco covarde e fugir para o exílio.

Enfim.

Sim, os gráficos são assim mesmo. não espere visuais épicos nem nada do tipo.

Defcon conta a história de… erm… ok, não tem história. Você controla o… não, você não controla ninguém em específico, o jogo é um RTS, ou estratégia em tempo real para os leigos. Se você já assistiu Jogos de Guerra, vai se identificar quase que instantaneamente com a tela do game, um mapa mundial com icónes simples, ao estilo de um computador militar. Basicamente sua missão é conseguir construir o maior número de armamentos em uma Guerra Termonuclear Global, para que quando chegue a hora de lançar as bombas atômicas, você consiga destruir o máximo possível de inimigos, antes que eles destruam você.

Não, você não é obrigado a jogar como os Estados Unidos.

Em sua maioria, é um game incrivelmente parado. Existem vários modos de jogo, alguns mais focados no ataque, outros na defesa. E também várias configurações de velocidade. Um dos mais longos pode se extender por 6 horas, existindo até a “versão escritório”, onde o jogo fica rodando minimizado, e só exibe eventualmente um aviso para te informar de acontecimentos importantes.

Se você já se perguntou como deve ser a vida daqueles grandes chefes militares americanos, que não fazem nada além de olhar essas telas o dia inteiro, então parabéns, seus gostos incrivelmente estranhos e específicos acabam de ser atendidos. Eu, por outro lado, sou um pouco mais ativo, e tenho mais o que fazer, então costumava escolher o estilo de jogo que não passa dos 10 minutos.

Não existe muito mais a falar sobre o game, visto que ele é incrivelmente suscinto. Mas eu admito que, mesmo sendo um jogo de estratégia – e jogos de estratégia serem por definição sem emoção, visto que eu vez de controlar pessoas específicas com passados detalhados, uma família e um cachorrinho de estimação, você controla centenas de clones idênticos que não têm absolutamente nenhuma personalidade – ele consegue tocar muito na ferida, mostrando como muitos de nós podemos ficar insensíveis com o tempo. Praticamente não há trilha sonora, predominando um silêncio que é propositalmente perturbante, e de vez em quando é possível ouvir uma mulher chorando ou uma criança tossindo ao fundo, como se o jogo dissesse “Você não está só olhando riscos numa tela. Você está bombardeando países inteiros, tirando vidas, destruindo famílias”. O efeito é ainda mais reforçado quando você sente uma batida no fundo do peito, ao ver uma bomba nuclear atingr uma cidade, e ouvir o som distante e abafado de uma explosão, enquanto um aviso na tela exibe quantos milhões acabam de morrer. E ainda existe uma opção do jogo para exibir o fallout nuclear (a nuvem de radiação que fica depois de uma explosão nuclear, podendo levar mais de 30 anos para dissipar completamente), e realmente dá uma sensação do estrago que foi causado.

A coisa verde brilhante é o fallout.

Então, é incrivelmente atmosférico, tem uma interface realmente icônica, mas foi feito para um público específico. Se você nunca gostou de jogos de estratégia, este não vai causar uma epifania.

Frase Final: Um jogo estranho. A única maneira de vencer é não jogar. – Joshua, em Jogos de Guerra

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