Brütal Legend

Como a meia dúzia de leitores assíduos do blog já deve ter notado, eu amo rock. Qualquer tipo, desde Beatles até Motorhead (com a exceção do estilo Sepultura e qualquer outro tipo de rock que envolva cantar como se você estivesse vomitando ao mesmo tempo). E portanto, heavy metal faz parte da minha coleção de amores (que gay). A pergunta é: será que alguém que não goste de heavy metal pode gostar de Brütal Legend? Eu não faço idéia. Você pode desligar a música nas opções do jogo, mas aí vai precisar de proteger, porque eu vou pessoalmente até a sua casa te bater e chamar de fresco.

Brooetal Legend (o trema acentua o som) conta a história de Eddie Riggs, o melhor roadie do mundo na pior banda de heavy metal da história, até que um acidente o transporta para um passado esquecido pela humanidade, uma era onde o planeta era moldado ao redor de Heavy Metal (os deuses, as plantas, os animais, tudo). Eddie descobre que esse mundo está sendo governado com punho de ferro por demônios ditadores que querem reprimir a humanidade até uma possível extinção, então cabe a Eddie impedir isso, com a ajuda da resistência humana.

A resistência de 3 pessoas.

É difícil expressar totalmente o que eu sinto a respeito dos games do Tim Schafer, mas ele tem a característica de nunca ter escrito uma história que não fosse interessante, e nunca ter criado personagens que não fossem bem construídos e fáceis de se apegar. Em um determinado ponto do jogo, um dos membros da resistência foi morto, e eu fiquei legitimamente triste, porque o jogo construiu bastante a personalidade dele a ponto de eu me importar com o cara. Em vez de só pensar “isto é um monte de polígonos soltando um arquivo .wav de vez em quando” eu pensei “esta é uma pessoa que tem suas motivações, seus princípios, que tem uma vida”. E isso faz toda a diferença.

Os cenários do jogo são absolutamente fantásticos. Se você pegar os cenários de várias capas de discos de Heavy Metal (como Megadeth e Dio), irá encontrar semelhanças incríveis, e o resultado não poderia ser melhor. As criaturas que andam pelo jogos têm por si só um ar de heavy metal (e você pode cavalgar praticamente todas as criaturas do jogo, o que é muito legal) e há toda uma mitologia e história para o mundo, fazendo com que seja consistente e prenda a atenção do jogador.

É consistente E É O MÁXIMO.

Eu nem deveria mencionar as participações em dublagem, porque se você viu pelo menos um trailer para o jogo já deve ter reparado que há dublagens de praticamente metade dos astros de heavy metal famosos. Ozzy Osbourne, Lemmy Kilmister, Rob Halford, Lita Ford, Jack Black (que dubla o protagonista e, além de ótimo comediante, faz parte da banda Tenacious D), Kyle Gass (também da Tenacious D), uma homenagem a Dave Mustaine, etc. James Dio deveria ter dublado o vilão da história, mas ele estava doente e, bem, todos sabemos como terminou.

Snif.

É bom eu mencionar que você possui um carro no jogo, já que mais da metade do seu tempo vai ser passado dirigindo pelo mundo. O Deuce não é exatamente o carro mais realista do mundo (você consegue acelerar enquanto está no ar), mas é extremamente divertido, com rádio para ouvir… adivinhe… heavy metal, várias armas e customizações. Customizações essas que você pode comprar no submundo, com o Guardião do Metal, que você provavelmente reconhecerá, se andou lendo meu blog ultimamente.

Yaaaaay!!!

Embora no começo o jogo seja tipicamente de aventura, com lutas no estilo God of War e cenas frenéticas de fuga com o carro, depois de um tempo fica claro que o foco principal do jogo é em estratégia em tempo real, mas um tipo bem simples, que não intimida quem não está acostumado com o estilo. Nada de reunir 5 tipos de recursos, construir 10 tipos de prédios diferentes, nada disso. Só defenda seu palco, colete fãs, crie tropas e ataque o palco inimigo (tudo enquanto voa com suas asas de morcego gigantes). O controle do Xbox 360 (e do PS3) não foi feito para esse tipo de jogo, então pode ficar um pouco confuso em alguns momentos, mas não chega a atrapalhar a experiência.

Se você quiser jogar no estilo God of War do início ao fim, você pode, mas será praticamente impossível. Após a metade do jogo, praticamente todas as missões passam a ser focadas em estratégia em tempo real, e os exércitos inimigos passam a ser grandes demais para lutar por conta própria. Eu acabei descobrindo mais tarde que eu podia usar meu carro em batalha, atropelando os inimigos à vontade. Demorei muito para descobrir isso, o que significa uma de duas coisas: ou eu sou muito pouco criativo, ou Brütal Legend tem o péssimo hábito de não te passar as instruções.

"Huuuuh, como eu faço esse ataque?"

E com isso chegamos na parte que eu tenho para falar mal desse game: o sandbox (para mais detalhes sobre o assunto leia isto). Eu entendo que sandboxes envolvam criar a sua própria experiência e tudo o mais, mas explicar como criar essa experiência é praticamente um requisito, o qual Brütal Legend não entende. Em um certo momento, eu fui informado que tinha um novo ataque, que envolvia apertar um botão enquanto eu estivesse correndo. O problema é que o jogo não me disse como correr. Andar rápido, sim. Correr não. Eu não estou exagerando quando digo que fiquei meia hora esmurrando o controle aleatoriamente até descobrir o que fazer (aperte o analógico esquerdo enquanto anda).

Ah, antes que eu me esqueça: não há um botão para pular – você só voa em momentos específicos do game, e se fora deles você ficar preso no cenário está ferrado e precisa recarregar do último ponto em que salvou – e você só pode ter um jogo salvo por vez. Se quiser jogar o começo do game de novo, precisa apagar aquele jogo salvo que está 99% completo.

Outra coisa: embora o jogo tenha um mundo bem aberto no começo, a segunda metade do cenário (onde se passa a segunda metade da história) é fechada e praticamente um labirinto, onde você não consegue saber se está indo para a direção certa a menos que pare a cada 20 segundos para olhar o mapa. Fica um tanto quanto inconsistente, visto que a primeira metade te acostuma a dirigir livremente, confiante de que tudo que você precisa fazer é seguir a luz no céu que indica a direção do próximo objetivo.

Aquela luz branca. Mas sinceramente, um minimapa seria muito melhor.

Como eu disse no meu post sobre sandboxes, ataques e habilidades essenciais para progredir na história deveriam ser cedidas à medida que eu avanço no jogo, mas Brütal Legend está feliz em te fazer dirigir por horas pelo mundo para conseguir encontrar tudo que é necessário. O que provavelmente é necessário, porque a campanha principal só tem umas 4 horas, e não havia praticamente nenhum incentivo para cumprir as missões secundárias. Mas eu cumpri várias delas de qualquer jeito para manter minha integridade, e admito que são variadas o suficiente para prender sua atenção no jogo por mais algumas horas.

Então resumindo: boa história porém curta, boas músicas (não me conteste), cenário fantástico, personagens carismáticos, jogabilidade que não é para todos os gostos, frustração em aprender os controles, e falta de foco típica de um sandbox. Junte tudo isso e você tem bohipocubomucefapecajonatogofruaprecofafotisandbox. E Brütal Legend. Não é perfeito, mas quem é, além de mim (e quem é mais modesto)?

Frase Final: Já que eu não disse ainda neste blog: Descanse em paz, Ronnie James Dio.

  1. Legal. Eu sou fanático por Rock também (até os guturais).
    E gostei muito do game (e da análise).

    VLW!!!

  1. Pingback: Análise de Brütal Legend Publicada « Virtualmente Interessado

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