Braid

O tempo é o tipo de coisa extremamente difícil de ser utilizada como tema para qualquer obra, seja um filme, livro (vejam Sumindo no Tempo, por exemplo, eu estou encalhado no quarto capítulo há meses), jogo, ou o que mais aparecer pela frente. O verdadeiro problema é que é difícil falar sobre manipulação da linha do tempo sem acabar fazendo uma besteira que te pareça soar ridículo. Em outras palavras, você tem que dar credibilidade a uma coisa que não existe e que é muito complicada.

Mas jogos independentes são uma mídia que sempre está explorando temas novos, originais e desafiadores (uma razão pela qual eu admiro produtoras independentes), e é por isso que nós já podíamos prever que cedo ou tarde ia aparecer um bom jogo independente de manipulação temporal, Braid.

Braid conta a história… Bem, não é bem uma história. Existem alguns pedaços de texto no começo das fases dizendo brevemente o que motiva o protagonista Tim, mas eles são totalmente desnecessários. É mais ou menos como os primeiros jogos do Mario. Você sabia que ele queria resgatar a princesa, mas no fim tudo se resumia a “vá andando até a bandeira do fim da fase aparecer”.

E o bichinho estranho falar que a princesa está em outro castelo.

E já que estamos falando de Mario, Braid a primeira vista é uma cópia descarada dos jogos de Mario mais antigos. Você sabe, aqueles em que tudo era 2D, antes de ficar metido a besta, 3D e perder todo o sentido da coisa? (Não me fale de New Super Mario Brothers Wii, eu ainda não joguei e portanto não sei argumentar se é fiel aos jogos antigos) Então, é praticamente idêntico. Você tem canos de onde saem plantas carnívoras, criaturinhas marrons que podem ser esmagadas com seus pulos, bolas de fogo, castelos no fim dos mundos, e os textos até dizem que Tim está nessa jornada para encontrar uma princesa.

Super Braid

É praticamente isso.

Mas quando se olha Braid mais a fundo, pode-se notar que a idéia-chave do jogo não tem a ver com Mario. O foco é em manipular o tempo. Existem 6 mundos n0 jogo (além da parte final, que é mais ou menos um mundo à parte), e cada um se foca na manipulação temporal de uma forma diferente. A manipulação base, que existe em todos eles, é poder rebobinar o tempo, em várias velocidades, parar o tempo, ou simplesmente ficar indo para trás e para frente até encontrar o momento certo. Mas depois disso, algumas variações interessantes começam a aparecer. Existem objetos que não são afetados pela sua manipulação temporal (por exemplo, você abre uma porta, e se rebobinar o tempo ela vai continuar aberta), fases onde andar para a direita faz o tempo ir para a frente, e andar para a esquerda faz ele rebobinar, fases onde você pode interagir com uma personalidade de uma realidade paralela, e fases onde você pode criar um ponto de gravitação temporal, onde as coisas ficam mais lentas do que nos outros lugares. Aqui, dê uma olhada:

A idéia de Braid é a de utilizar essas diferentes habilidades não só para chegar ao final das fases, mas também para encontrar peças de quebra-cabeças, que desbloqueiam pedaços do acesso para a última fase. Basicamente, você reúne as peças, depois monta o quebra cabeça para poder desbloquear a passagem. A tela de acesso às fases me lembra terrivelmente o jogo Super Mario 64, por causa dos retratos:

Parece muuito com Mario 64. Os retratos estão vazios, eu sei, mas é porque você tem que montar os quebra-cabeças.

Eu não vou dizer como o jogo termina, mas só vou te falar que você tem uma revelação surpreendente sobre quem Tim realmente é. Infelizmente, o fim do jogo levanta mais perguntas do que responde. Durante os trechos com textos, aparecem várias metáforas e citações que são complicadas de se entender. Bem, eu não acho que seja necessário levantar esse assunto numa análise, mas tudo que eu vou dizer é que o jogo inteiro é uma metáfora cheia de mensagens escondidas referentes à criação da bomba atômica. O criador do jogo, Jonathan Blow, é um dos grandes defensores dos games artísticos, e acha que jogos precisam contar uma história interessante, com metáforas e várias interpretações. Ele critica games como World of Warcraft, Doom, Half Life, etc. Para ele, um game necessariamente precisa ser uma obra de arte. Depois que você terminar de jogar, dê uma olhada neste link aqui (em português, mas mais resumido) ou nesse aqui (em inglês e com muito mais informações) e se delicie com as coisas estranhas que vai descobrir.

O sótão dá acesso à última fase do jogo, você vai se surpreender com o final.

Mas no fim, embora Braid seja um game com uma história escondida para nos fazer pensar, o que realmente deve ser levado em conta é o jogo em si. E sim, ele é muito bom. É divertido, tem uma mecânica inovadora, é visualmente bonito, a trilha sonora é aconchegante, e não é nem muito curto nem muito longo. Basicamente, não há nada para se criticar sobre ele.

Frase Final: Vá jogar esse game. Agora. Eu vou estar aqui quando você voltar para me agradecer.

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