Ben There, Dan That!

Que fim levaram os bons e velhos point’n’clicks? Você sabe, aqueles jogos de aventura, onde você tinha que combinar todos os 30 itens que encontrava para que funcionassem de uma maneira bizarra que só fazia sentido na cabeça do designer. Hoje em dia, as grandes empresas não fazem mais point’n’clicks. Eles agora só são feitos por produtoras independentes, ou então para jogos em flash na internet. E não, não me venha falar dos novos jogos do Sam & Max e do Monkey Island. O Sam & Max caiu na repetição depois do fim da primeira temporada, e os novos jogos do Monkey Island não passam de uma maneira de explorar a série para conseguir tanto dinheiro quanto for possível.

Eu até imagino porque é que eles pararam de ser produzidos em massa: é porque hoje em dia eles são fáceis demais de serem feitos. Jogos de point’n’click não precisam de gráficos extravagantes, nem de um complexo sistema de animação,com física integrada e mais um monte de porcarias para ficar bonito. É só um cenário, um personagem e um monte de coisas para ele interagir, sendo que algumas falam, outras abrem portas e outras podem ser combinadas entre si para falar ou abrir portas. E como não há nenhum desafio em fazer isso (existe até um programa chamado Adventure Game Studio para download na internet que já faz toda a parte da programação sozinho), os grandes estúdios acham que isso significa que ninguém vai comprar.

Infelizmente, então, os jogos de point’n’click morreram para as grandes produtoras. Mas felizmente, o mercado indie não se cansa de fazer mais e mais deles, como por exemplo, “Ben There, Dan That!“.

Ben There, Dan That! screenshot 1

É um jogo para ser baixado pela internet, não tem nenhuma capa.

Ben There, Dan That! conta a história dos “aventureiros” (como se auto-referem) Ben e Dan, personas dos próprios desenvolvedores do game, que ao tentar improvisar uma antena nova para assistir Magnum P. I. na televisão do apartamento, acabam sendo abduzidos para uma nave alienígena que tem portais para várias dimensões, como uma onde a terra explodiu, uma onde ela congelou, outra onde aqueceu demais, outra onde a Inglaterra virou uma colônia dos Estados Unidos, e por aí vai. É maluco sim, eu sei, mas é justamente esse nível de maluquice que deixa o jogo tão engraçado e divertido.

E existem muitas piadas no jogo, acredite. Para conseguir ver tudo, você precisa explorar. Só uma pequena parte das piadas é obrigatoriamente vista durante o avanço da história, então para conseguir aproveitar tudo você precisa deixar a parte de “jogo” de lado por um instante e começar a analisar todos os objetos da cena e do seu inventário. Tentar fazer com que Dan use ele mesmo, por exemplo, tem vários resultados diferentes e hilários.

É sério, explore. Não tenho como deixar isso claro o suficiente.

Uma das melhores partes desse jogo é que, embora a maioria dos quebra-cabeças seja maluco, eles são intuitivos. Em outras palavras, outras pessoas além do designer conseguem entender o que precisam fazer sem procurar dicas na internet. Isso é algo extremamente raro em point’n’clicks. Até mesmo grandes jogos como Grim Fandango já me deixaram com dúvidas, e Grim Fandango é praticamente minha base de comparação para ver se um point’n’click é realmente bom.

Os gráficos não são avançados, não passam de um monte de imagens 2D sem sombreamento e até mesmo com uma resolução um pouco baixa (estilo 8-bits). Mas ainda assim é esteticamente bonito e não atrapalha nem um pouco a experiência.

Mesmo sendo simples, os gráficos são bem trabalhados.

No entanto, existe algo que atrapalha a experiência sim, e muito. O texto. Tente ler todas as falas dos personagens, e depois de meia hora você vai ficar com uma dor de cabeça. Quem diabos achou que colocar letras com baixa resolução era uma boa idéia? E essa não é a primeira vez que eu vejo um jogo fazer isso. Gostaria de saber que foi o “gênio” que determinou esse padrão como algo válido e interessante para um game.

Meus olhos!

Mas, no geral, Ben There, Dan That! é um ótimo jogo. É verdade que não é muito longo (tem 2 ou 3 horas de duração) mas é gratuito, então você não tem como reclamar que gastou dinheiro para ter uma experiência muito curta.

Frase Final: Eu sou você… DO FUTURO!!! Tchan-tchan-tchaaaaan!!!!

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