Avatar

ATENÇÃO! Esta análise conta grande parte da história do filme Avatar. Se você ainda não assistiu ao filme (ou seja, se você é um Neandertal que acabou de sair de um cubo de gelo, afinal todo mundo já assistiu), leia por sua própria conta e risco!

Será que eu sou o único que percebe que o cinema 3D não é simplesmente uma tecnologia inventada para divertir? O cinema 3D na verdade é um apelo desesperado das produtoras de filmes para tentar combater a pirataria e convencer o público a ir assistir aos filmes no cinema, em vez de na tela do computador depois de baixar pela internet.

Mas quer saber? Eu acho que é uma solução que funciona. Porque eu agora tenho que analisar Avatar, e não faço a menor idéia do que dizer, porque eu mal consegui prestar atenção nos defeitos do filme, visto que o 3D estava na minha frente. Houve alguns momentos em que o pequeno crítico que mora na minha cabeça ficou desesperadamente tentando chamar a minha atenção para os problemas do filme, mas eu não liguei, simplesmente porque tudo era absurdamente lindo de se ver.

Mas ainda assim, eu vou tentar falar do pouco que consegui ver do filme de verdade, por trás de todos aqueles efeitos 3D que estavam grudados na minha cara tampando minha visão do resto.

Vamos lá, veremos no que eu consegui prestar atenção além do 3D.

Avatar se passa num futuro distante (aparentemente em 2154, segundo a Wikipédia, não que eu me lembre de ter visto isso no filme), onde a humanidade finalmente conseguiu ter sucesso em destruir todos os recursos naturais terrestres e por isso precisa viajar para outros planetas em busca de minérios. E eles acabam chegando em Pandora, um mundo coberto por florestas, e com metais que valem bilhões o quilo. E, sendo um bando de narcisistas babacas, os chefes da operação de extração estão dispostos a destruir toda a fauna e flora locais para conseguir o que querem. E eles demonstram tanto desprezo por árvores e semelhantes, que a única maneira mais prática de deixar claro que não é para o público gostar deles seria escrevendo a mensagem numa bigorna e jogá-la na cabeça dos espectadores.

Você vai aprender a detestar esse cara fácil, fácil.

Mas Pandora também tem vida inteligente: os Na’vi, uma raça de humanóides azuis de três metros de altura, que vive em completa sintonia com o meio ambiente e portanto quer fazer de tudo para expulsar os humanos, mesmo que para isso seja necessária uma guerra.

É o melhor trabalho de personagem gerado por computação gráfica que eu já vi desde o Davy Jones.

Numa tentativa desesperada de conseguir uma solução diplomática, os cientistas humanos (praticamente os únicos humanos do filme que não são idiotas descerebrados) criaram o programa avatar, que permite que um ser humano possa passar para o corpo de um Na’vi (não no sentido de possuir o Na’vi, eles fazem isso em versões geneticamente modificadas dos nativos, que não têm vida própria), o que facilita a sobrevivência ao bioma hostil de Pandora, para chegar perto o suficiente dos nativos a ponto de negociar.

Deve ser uma experiência interessante, crescer um metro em segundos.

Mas basicamente, tudo isso acontece antes da história do filme. No filme, o militar Jake Sully chega em Pandora e assume o controle de um avatar. Inicialmente, Jake tem a mesma visão que todos os militares têm dos nativos: um bando de desgraçados que estão no caminho do metal precioso. Mas com o tempo, Jake passa a se integrar com os Na’vi, a ponto de realmente virar um membro do povo. E neste momento, ele se vê dividido entre a sua raça de nascença e a nova raça à qual pertence, e acaba decidindo ajudar os Na’vi a tirar os humanos do planeta. Não é a história mais elaborada que já existiu, mas consegue cumprir bem sua função.

Jake (à esquerda) e os outros poucos humanos do filme que têm cérebro.

Agora, eu gostaria de fazer uma pergunta. Quem aí já assistiu Pocahontas, o desenho da Disney? Você se lembra da história? Então, é exatamente a mesma coisa. Raça mais avançada tecnologicamente chega na terra da menos avançada, desesperadamente querendo destruir a raça menos avançada para conseguir os recursos naturais. Mocinho (da raça mais avançada)  se apaixona por mocinha (da raça menos avançada), descobre os costumes de seu povo, percebe que os membros da raça mais avançada são os vilões, e se opõe a eles. Praticamente todos os personagens de Pocahontas têm um personagem correspondente em Avatar, e vice-versa. Raios, tem até a cena onde o mocinho conversa com uma árvore anciã.

Mas no fim, Avatar é absolutamente lindo de se ver (ainda mais se for assistido em 3D, o que eu recomendo que você faça), e embora não tenha uma história original, vale totalmente a pena. James Cameron fez por merecer, e eu acho que o filme não poderia ser melhor (tentar consertar os defeitos acabaria estragando tudo). Então, basicamente: assista.

Só a parte das montanhas flutuantes já é bonita o suficiente para fazer o filme valer a pena.

Frase Final:

Em 2154,

Nossa nave partia,

Em busca de metais e glória

Pra Terráquea Companhia…

Cada um no novo mundo,

A riqueza encontraria,

É o que nos garantia

A Terráquea Companhia.

  1. Bacana a análise…
    Vendo Avatar me lembrei mais do neo-colonialismo-imperialista americano que de Pocahontas, mas é mesmo bem parecidinho.

    Gostei particularmente daquela frase: “Se você quer algo de outra civilização basta declará-la sua inimiga (ou inimiga da democracia) e fica justificável invadir e saquear”.

  2. Willian Rosa

    “Se você quer algo de outra civilização basta declará-la sua inimiga (ou inimiga da democracia) e fica justificável invadir e saquear.”

    Hum, eu conheço um ex-Presidente que adorava fazer isso. Mas a administração atual também tem problemas com o Irã.

    • diegolomac

      Hehehe, podem comentar sobre o que quiserem, mas não transformem meu blog num centro de debate político, por favor.

  1. Pingback: Análise de Avatar Publicada « Diego Machado: A recompensa está no fazer.

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