Assassin’s Creed

É incrível o número de falhas de um jogo que podem ser perdoadas quando ele consegue acertar na imersão. Antes de começar a falar sobre Assassin’s Creed, me deixe explicar sobre o que imersão é. Sabe quando você está jogando um game tão bem feito, tão cativante, com personagens tão bem montados e memoráveis, que você realmente se sente parte daquele mundo, ao ponto de praticamente entrar em um estado de transe? Isso é imersão. Imersão é quando você passa semanas jogando Thief e depois disso percebe que está com a tendência de andar dentro das sombras durante a noite. Imersão é quando você está jogando Silent Hill, e seu irmão cutuca seu ombro, para em seguida ser jogado para trás, porque você deu um pulo de medo.

Tendo isso dito, vamos em frente. Assassin’s Creed.

Assassin’s Creed conta a história de Altaïr, um assassino no meio das Cruzadas, que precisa livrar o mundo (mais precisamente as cidades de Jerusalém, Damasco e Acre) de templários que conseguem ser estúpidos o suficiente para não perceberem que escravidão e assassinato de civis não é uma maneira de construir um futuro melhor para todos.

Mas espere! Não, essa não é a história, que estupidez a minha dizer isso. Na verdade, a história é sobre Desmond Miles, um bartender raptado no ano de 2012 por uma corporação do mal que quer usar o DNA dele para conseguir descobrir a história de Altaïr, e assim descobrir sobre alguns artefatos sagrados que podem permitir o controle do mundo. E eu sinceramente não consigo expressar o quanto essa segunda trama é idiota.

E o quanto o Desmond é chato.

O pior é que o jogo não consegue se decidir direito sobre qual é a história na qual ele quer se focar, então nós precisamos constantemente mudar de “batalhas legais no meio de Jerusalém” para “ficar andando em círculos controlando um idiota que, mesmo sendo mantido em cativeiro por apenas um velho e uma garota, não tem coragem de meter um murro nos dois e fugir”. O que é uma pena, porque um foco muito maior na primeira história tornaria o jogo muito mais interessante.

Altaïr é de longe um dos personagens mais surreais que poderiam ser imaginados para essa história. Ele faz uma espécia de parkour pelos telhados das casas muçulmanas, conseguindo não escorregar de toras de madeira que claramente não foram feitas para esse tipo de propósito, e o mais impressionante, consegue se jogar de um prédio de meio quilômetro de altura e sobreviver simplesmente caindo em uma pilha de feno. Mas como eu já disse antes, vale a pena sacrificar o realismo se isso significa tornar o jogo mais divertido. E Assassin’s Creed é divertido, com certeza.

E bonito também.

O único problema é que ele costuma se esquecer que é um jogo, e portanto precisa ter variedade na jogabilidade que estimule continuar até o fim. Como se não bastasse você começar sempre no topo de uma montanha a cada missão, e precisar percorrer o caminho até a cidade, as missões que existem para conseguir levar a história em frente, ou para ganhar experiência, ficam muito repetitivas muito rápido. Eu perdi conta de quantas vezes salvei civis que estavam apanhando de guardas, ou de quantas torres eu tive que escalar para que o jogo esfregasse na minha cara os cenários que foram feitos com cuidado para me agradar.

E sequências de parkour feitas com cuidado para serem intensas e excitantes.

E sim, as missões de assassinato são muito divertidas, mas o problema é que demora muito tempo para chegar nessas partes. E além disso, quando você finalmente consegue matar um templário, ele decide que precisa falar uma autobiografia completa antes de morrer, e é totalmente inpossível pular essas partes. Eu ainda estou tentando entender como exatamente isso acontece:

-Ei, Guarda Bob, o Capitão foi morto por um membro da ordem dos assassinos! Vamos pegar ele!

-Não, Guarda Jack! Primeiro precisamos esperar o Capitão terminar de falar sobre a infância dele, o assassino coletar o sangue como prova de um trabalho bem feito, e só aí podemos atacar.

Sério, alguém me explique como isso faz sentido.

Outro problema do jogo são os civis. Existem alguns bêbados e leprosos que têm a frequente tendência de te derrubar se você passa por perto deles, algo “extremamente hilário”, mas quando você os agarra e joga para longe, de repente todos por perto começam a te desprezar e te querer morto, porque aparentemente os bebuns podem e você não. Outro pé no saco são as pedintes, que fazem questão de bloquear o seu caminho choramingando por moedas (e você não tem dinheiro no jogo), mas quando você tenta empurrá-las para longe, elas subitamente saem correndo e gritando como se você fosse um monstro. Sei.

Pelo menos o resto da multidão é mais quieta, e não liga que você fique empurrando todo mundo.

Os controles do jogo são bem feitos e intuitivos, os gráficos são absolutamente fantásticos, os efeitos sonoros são bem realistas, e a trilha sonora condiz muito com a atmosfera. Todos elementos que contribuem para a imersão. E no fim, a imersão compensa tanto as falhas que eu citei, que Assassin’s Creed acaba sendo um dos jogos que eu mais recomendo para quem quer perder horas em um cenário histórico, ou então quem simplesmente quer um jogo que seja o máximo.

Frase Final: Huh, aparentemente esse jogo prova que o Acre existe (eu passei meses pensando nessa piada besta).

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