Assassin’s Creed 2

Games geralmente têm um problema em criação de cenários. Se fosse feito um gráfico de pizza, a parte dos games focada em um cenário de fantasia medieval ou na Segunda Guerra Mundial seria grande o suficiente para alimentar trinta italianos gordos. O que tem de tão interessante nesses cenários? Sim, eu admito que os livros de Tolkien são legais. Sim, eu admito que Hitler era um idiota. Mas vocês realmente precisam ficar nos lembrando isso constantemente?

Não é surpresa, portanto, que um jogo ganhe pontos no meu conceito quando resolve apresentar cenários pouco explorados. E até agora a franquia Assassin’s Creed tem me agradado muito. Como eu disse na análise do primeiro jogo, é muito legal correr pelo topo dos telhados de Jerúsalem na época das Cruzadas, ouvindo guardas gritarem para a plebe sobre como a Guerra Santa irá purificar o mundo, e ouvir a plebe se reunindo para protestar.

Mas o caso é que Assassin’s Creed era muito bonito e tinha ótimas idéias, mas tinha alguns problemas em relação à parte game de videogame, resultando naquela repetição de missões pequenas que sempre me causou desprezo por MMORPGs. Assassin’s Creed 2, por outro lado, pega essas idéias e implementa de uma forma muito mais fluida e divertida. Esse é o game que todos queríamos que o primeiro Assassin’s Creed fosse.

Assassin’s Creed 2 continua a história exatamente do ponto onde o primeiro parou, com Desmond Miles fugindo da empresa Abstergo com sua nova amiga Lucy, para se reunir com outros dois membros da ordem dos assassinos, e sair por aí causando caos e destruição em prol da liberdade de pensamento. HAH! Brincadeira. Eles simplesmente fazem com que Desmond use uma versão atualizada do Animus (a máquina que permite ver as memórias dos seus antepassados) para continuar obtendo informações sobre a localização de artefatos que podem ajudar a salvar ou destruir o mundo. Me chame de cínico, mas o plano de escapatória dos amigos de Desmond parece consistir em fazer exatamente aquilo de que ele acabou de escapar. Mas que seja, vamos fazer do seu jeito.

O novo antepassado é Ezio Auditore da Firenze, um assassino e personagem em muitas maneiras melhor do que o antigo Altaïr, visto que ele consegue nadar, tem vários novos equipamentos para manter os assassinatos interessantes, e principalmente, tem mais personalidade do que um pedaço de madeira. A aristocracia italiana matou sua família, então ele está procurando respostas, etc, etc. Mas o que importa é que ele é muito mais fácil de se relacionar, e eu chegava a me importar com o que acontecia com ele.

Ah, e ele é um garanhão carismático, fazendo com que eu me identifique muito com o personagem.

O novo cenário é a Itália no Renascimento, e o jogo se esforça bastante para te lembrar disso. Seja pelos momentos em que os personagens falam em italiano, com direito a tradução por legenda, seja pelas lojas de pintura, ou seja até mesmo pelo fato de um dos seus principais aliados no decorrer da história ser Leonardo Da Vinci. E se você viu alguma parte da campanha de divulgação do game, você com certeza sabe que a Ubisoft ficou constantemente anunciando que seria possível controlar a máquina voadora de Da Vinci. Mas já existem tantas coisas no game, que mal sobrou espaço para isso, fazendo com que o tempo total de controle não passe de uns 2 minutos. Não que isso seja ruim.

Não, você não vai ver muito disso.

Como eu disse, existe uma variedade muito maior agora no equipamento, incluindo a utilização de armaduras. Isso acabou ocasionando o inevitável sistema de compra, significando que você precisa de dinheiro para conseguir as melhores botas, espadas ou seja lá o que mais. O que me leva ao maior problema que eu tive com esse game. É possível, sim, ganhar dinheiro fazendo missões secundárias, explorando o mapa para encontrar baús de tesouro – ainda que levante a pergunta de como ninguém nunca abriu nenhum deles, visto que existem mais de 300, e não estão nem mesmo enterrados – e roubando civis desavisados, mas fica muito repetitivo e chato muito rápido, lembrando quase que imediatamente a repetição de MMORPGs que eu mencionei no começo dessa análise. O que significa que se você quiser equipamentos melhores – e você VAI querer equipamentos melhores – você precisa ganhar dinheiro a partir da sua Vila.

A Vila Auditore é basicamente o centro de operações de Ezio, onde ele pode armazenar o equipamento extra, e itens que sejam importantes para a história. E ela também fica constantemente acumulando dinheiro, dinheiro esse que você precisa ir buscar dentro da mansão Auditore para conseguir usar. O caso é que o fluxo de dinheiro começa muito baixo, e para aumentá-lo você precisa gastar para restaurar novos prédios, comprar obras de arte, etc, etc, para conseguir aumentar o valor turístico da Vila. Não chega a ser uma idéia tão ruim no papel, mas na prática, eu fiquei praticamente dois terços do jogo voltando constantemente para a Vila para conseguir atualizar o lugar para me render mais dinheiro. E todo o dinheiro que eu ganhava era imediatamente gasto da Vila, para poder ganhar ainda mais dinheiro.

Parte do valor da Vila também cresce se você encontrar itens específicos, e é muito sacal ficar horas procurando por eles.

E quando eu finalmente consegui um fluxo de dinheiro decente, e comecei a comprar tudo que via pela frente, a Vila já estava quase que totalmente restaurada. Mas o que aconteceu em seguida foi que eu consegui comprar todo o equipamento quase que imediatamente, dispensando a necessidade de mais dinheiro. Mas é claro que o jogo não sabia disso, então a Vila continuou acumulando dinheiro, e constantemente aparecia uma mensagem na tela com um lembrete para voltar na Vila para pegar esse dinheiro extra. Para quê, eu pergunto? Para colocar em uma piscina, e nadar pelas moedas como um Tio Patinhas italiano? E como se o sistema de compras quebrado não fosse o bastante, você consegue a melhor armadura do jogo de graça! Então pra que me fizeram gastar mais de 10 horas procurando novos jeitos de ganhar dinheiro, saco?!

Mas como eu disse, Assassin’s Creed 2 é melhor do que o primeiro Assassin’s Creed em praticamente todos os aspectos, e visto que eu gostei muito do primeiro, eu definitivamente recomendo este. É sólido, imersivo, bonito, divertido, e escalar torres para se jogar do topo e cair em uma pilha de feno continua tão divertido quanto antes. E se você é como eu, provavelmente vai fazer isso repetidamente, enquanto grita “Weeeeeeeeee!!!!”

E quando os cenários são tão bonitos assim, não é difícil ficar alegre.

Frase Final: O equivalente desse jogo às pedintes do primeiro são menestréis, e eu tenho a impressão que os designers atualizaram a inteligência artificial dos caras só para que passassem a atacar em grupo e encher ainda mais o meu saco.

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