Alice no País das Maravilhas

Eu sempre mantenho um pé atrás em relação a filmes inspirados em livros, desde que os filmes do Harry Potter começaram a feder o suficiente para que o cheiro impregnasse meu DVD. Mas eu acho que consegui finalmente entender como funciona: um bom filme inspirado em uma obra literária costuma conseguir ser bom se adotar uma de duas estratégias. Ele pode tentar ser 100% fiel à história do livro, reproduzindo cada cena e cada fala, só requintando um ou dois pequenos detalhes no máximo (veja como o primeiro filme do Harry Potter foi bom, por exemplo, ou então os filmes do Senhor dos Anéis), ou ele pode usar só o conceito básico da história original, e criar uma história totalmente nova, tentando melhorar tudo que a obra fazia que não dava certo. Um bom exemplo desse último caso é o filme do Sherlock Holmes, com a parte ruim sendo que a nova história é tão nova que não sobrou nada da velha, fazendo com que “Sherlock Holmes” fosse um nome com quase nenhuma conexão ao estilo da trama.

Um filme ruim baseado em livros, por outro lado, é aquele que quer usar o máximo da obra original possível, enquanto ao mesmo tempo tenta colocar várias alterações, o que acaba criando uma aberração deformada, com pedaços de trama costurados com novos personagens, e buracos disformes onde costumavam ficar personagens antigos. Como por exemplo a ausência do Dobby nos últimos 3 filmes do Harry Potter. Malditos sejam, Warner Bros!

Enfim.

Não achei uma imagem que mostrasse todos os personagens. Uma pena.

O novo Alice no País das Maravilhas se classifica na primeira categoria, pegando os personagens originais e criando uma história totalmente nova, que pode ser considerada uma continuação do conto de Lewis Carroll. Alice está adolescente, com vários problemas na sua vida pessoal, e acaba voltando por acidente para o País das Maravilhas (que aparentemente não se chama País das Maravilhas na realidade, isso era uma invenção que Alice fez quando era criança). Chegando lá, ela descobre que a Rainha de Copas finalmente se deu conta de que ter um exército de um milhão de cartas é útil para dominação, e acabou criando uma ditadura naquele mundo. E obviamente, como este é um filme Hollywoodiano, a missão de Alice é derrotar a Rainha e fazer com que o Mundo Subterrâneo (o verdadeiro nome do lugar) volte a ser feliz e cintilante.

Agora, deixe-me deixar bem claro: eu disse que um filme que use o livro para criar uma história nova pode ser bom, mas não disse que é uma chance de sucesso garantida. O filme da Alice não conseguiu sucesso em criar uma história realmente interessante, pelo menos do meu ponto de vista. A trama é simples, o final já é contado por uma profecia depois de 20 minutos, e portanto o resto do tempo de filme é basicamente a mesma explicação repetida de uma forma mais demorada. Além disso, os personagens acabaram sendo dissecados a uma versão razoavelmente bizarra deles mesmos, fazendo com que eu parasse de prestar atenção constantemente na história para imaginar o que diabos o diretor estava pensando. Quem poderia ser o maluco que fez uma coisa dessas?

Ah, é. O Tim Burton.

Essa imagem já explica tudo por conta própria.

Eu tenho que respeitar um cara desses. Os jornais e críticos de filmes ficam constantemente dizendo que ele tem uma mente extremamente perturbada, e a resposta a essas acusações é basicamente apresentar ainda mais evidências. É como um acusado por homicídio que resolve elaborar a sua defesa no tribunal enquanto esfaqueia o promotor. Eu não sei se ele faz isso porque as acusações de insanidade não chegaram aos seus ouvidos, ou se é ironicamente, mas caso seja a segunda opção, eu diria que admiro um cara que não liga a mínima para o que as pessoas pensam dele, e acha engraçado que pensem assim. É claro que existe a terceira opção, de que ele seja maluco, tenha ouvido as críticas, mas não dê a mínima, mas acho que deve ser uma história mais legal do que isso.

Os visuais do filme são realmente bonitos, mas o que você poderia esperar? É um filme sobre uma terra mágica, feito pelo mesmo cara que dirigiu o remake de “A Fantástica Fábrica de Chocolate”. Ele já tem uma experiência razoável em cenários com aparência mágica, ainda mais se você também levar em conta os filmes de stop-motion “O Estranho Mundo de Jack” e “A Noiva-Cadáver”. Além disso, é claro, os personagens também tem aparências visualmente bem marcantes, mas eu sinceramente acho que alguns foram exagerados ao ridículo. O melhor exemplo é o Chapeleiro Louco: o que diabos aquilo devia significar? Sim, o cabelo laranja era uma homenagem aos chapeleiros que enlouqueceram por envenenamento de níquel, mas a equipe de figurinos aparentemente quis fazer tanto sucesso quanto a de “Piratas do Caribe”, então encheu o Chapeleiro com trapos a ponto de deixá-lo parecido com o Jack Sparrow. Ele até corre igualzinho, inferno! (Se bem que isso é mais por causa do Johnny Depp acabar colocando um pouco de Jack Sparrow em todos os seus personagens desde que fez o primeiro Piratas do Caribe. Dê uma olhada no Sweeney Todd, algumas daquelas expressões denunciam isso completamente)

Sério, isso realmente me assusta.

Uma das coisas mais interessantes no filme é, obviamente, a presença de atores populares na dublagem da maioria dos personagens digitais, como Alan Rickman fazendo a lagarta, e Stephen Fry no papel do Mestre Gato. Ou melhor, obviamente não. Eu acho que deve ser ao menos. Eu poderia dizer com certeza, se o cinema daqui exibisse a versão legendada do filme. Eu nem vou entrar nesse assunto de novo, tirando pelo comentário de que essa é praticamente a razão principal pela qual eu quero passar logo em uma faculdade e ir para São Paulo. Isso e o fato do cinema daqui não ter salas 3D, o que teria feito eu aproveitar mais o filme. ARGH!

Mas no fim esse acontecimento foi até uma coisa boa. Como eu disse na minha análise de Avatar, eu não conseguia saber se o filme era bom ou não, porque estava ocupado demais prestando atenção no efeito 3D. Sem 3D, eu pude ver as falhas de Alice muito claramente. Não que o filme seja necessariamente ruim, eu já vi filmes boçalmente piores, mas ele não tem nada que seja particularmente interessante. Se você quer ir ao cinema, e as únicas opções são filmes com o Robert Pattinson, nesse caso eu recomendo.

Frase Final: Pra que o filme tinha que mostrar o Johnny Depp dançando break?

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