Alan Wake

Eu vou dizer uma coisa a favor do Alan Wake logo de cara: ele é o único jogo de terror que eu realmente quis jogar do começo ao fim. Provavelmente isso significa que ele não é tão bom assim no quesito terror, mas você decida o que isso significa, e se é um motivo para você comprar ou não.

Alan Wake é um jogo de terror (mais ou menos) exclusivo para Xbox 360, que faz absolutamente tudo que você esperaria em uma história do Stephen King, especialmente o tema sobre um escritor com problemas pessoais sendo aterrorizado por um ser do mal que nunca é explicado em uma cidadezinha no interior dos Estados Unidos. Então basicamente o tema de todas as histórias do Stephen King exceto “À Espera de um Milagre”. E se isso não estivesse ainda óbvio o suficiente, as primeiras palavras ditas quando você começa o jogo são “Stephen King”, e o nome dele ainda é dito mais umas outras três vezes ao longo da história. Sim, Remedy Games, nós já entendemos, vocês gostam do Stephen King.

A história é basicamente que o escritor Alan Wake está com um bloqueio mental (parabéns, vocês fizeram eu me identificar com o personagem) e sua esposa resolve levá-lo de férias para uma cidade nas montanhas, e ver se isso o incentiva a escrever, algo que ele simplesmente se recusa a fazer e chega a ficar irritado quando alguém o sugere isso. Eu chego a me perguntar por que ele resolveu ser um escritor então. Mas enfim, o chalé em que ele está com sua esposa tem algum mal disforme que a rapta, e agora Alan precisa resgatá-la e descobrir os segredos da cidade. E aparentemente o melhor jeito de fazer as duas coisas é andando em uma floresta de noite, resmungando como narrador do jogo.

E acredite, a narração é inútil. Eu nunca vi nada tão redundante. Logo na primeira fase, você já se prepara para o tom do resto do jogo. Alan atropela um mochileiro, e a narração imediatamente diz “eu demorei demais para ver o mochileiro”. Aí, Alan sai do carro, e o corpo sumiu. E o narrador diz “seu corpo tinha sumido”. Puxa, muito obrigado, Alan, se você não tivesse falado eu nunca ia reparar. Por acaso você acha que eu tenho Transtorno de Déficit de Atenção?

"E aí eu vi árvores. E árvores. E mais árvores."

Aparentemente o jogo acha que sim, porque por alguma razão o jogo finge que é uma série de TV, e quando cada novo capítulo começa tudo que aconteceu até o momento é recapitulado. E não, você não pode salvar o jogo e sair entre capítulos, então a coisa toda é redundante e sem sentido. Sim, isso ajuda a criar um clima, mas eu não acho que é necessário. O jogo em si já tem um ótimo clima.

E que clima. O ambiente é muito bem construído, com névoa cobrindo o chão, fazendo com que arbustos à distância possam muito bem ser um inimigo, e aí você ilumina a sua lanterna no arbusto, vê que não é nada, mas logo em seguida um monstro pula de outro arbusto bem na sua frente. Esse clima é um pouco estragado pelo jogo constantemente tirar a câmera do seu controle e dar um zoom nos monstros que apareceram, e ter aquela música de ação que para de tocar assim que o último monstro é derrotado, fazendo com que você tenha certeza que não tem mais com o que se preocupar. Mas oh bem, ainda assim é um bom clima.

"Aaaargh, de onde você saiu??!!"

Por outro lado, o jogo sabe muito bem que seu grande trunfo é o ambiente das florestas à noite, então 90% do jogo acaba se passando em uma floresta à noite, ao ponto que não há como impedir a coisa toda de cair na repetição. Especialmente porque o combate não é nada inovador. Basicamente, você tira a proteção dos monstros iluminando-os por algum tempo com a sua lanterna, e depois termina de destruí-los com armas de fogo. Existe alguma variedade com sinalizadores e granadas de luz, mas na maioria das vezes você não vai usar nada além da sua pistola, porque ela quase sempre consegue dar conta do trabalho. Com o tempo, o combate fica mecânico. Aponte a lanterna para o monstro, e dê dois ou três tiros. Se for um monstro encorpado, use uma arma mais forte. Fim.

Dito isso, eu admito que gostei muito de exatamente quantos itens você encontra. Houve momentos em que eu estava tão cheio de munição e pilhas para a lanterna que ficava completamente despreocupado, mas aí o jogo lançava legiões inteiras de monstros na minha cara, e eu precisava começar a racionar suprimentos, o que no final das contas é a ideia central de um jogo de terror.

Eu também gostei de quando a Escuridão começou a possuir objetos e jogar em cima de mim. É bem interessante ter que esquivar de um pedaço de cano industrial sendo lançado na sua direção para conseguir destruí-lo com luz, mas também é algo que cai na repetição com o tempo.

Mas voltando à história: eu sei que histórias de terror geralmente envolvem personagens tomarem decisões ruins, mas eu fiquei embasbacado em como Alan fazia burrada após burrada. Como aceitar ir na casa e tomar o chá de uma personagem que antes era alegre e falante, e agora está falando em um tom sem emoção e com olhos vidrados, praticamente com um sinal em neón em cima da própria cabeça escrito “EU ESTOU POSSUÍDA”. Ou quando ele está em uma casa abandonada no meio da noite, sabe que deve ter monstros lá fora, e aceita a sugestão do amigo de encher a cara.

Mas vamos concluir os detalhes. A animação facial é de longe a pior que eu já vi (todos os personagens movem a boca como marionetes), mas eu no final das contas eu tenho que admitir que gostei muito de Alan Wake. Ao menos está tentando algo diferente. Os cenários são lindos, os efeitos de luz e sombra são os melhores que eu já vi (mas o jogo é obrigado a fazer isso direito, afinal luz e sombra são temas centrais da trama) e embora a história em algumas partes seja estranha, ela é interessante e conseguiu prender minha atenção até o fim, mesmo sendo que esse foi o ponto em que absolutamente nada foi concluído. Eu sei que existem dois outros capítulos que podem ser baixados e continuam a história, mas qualquer jogo onde você precisa pagar extra para o final fazer sentido pode ir se ferrar.

Frase Final: A trilha sonora tem ótimas músicas, especialmente na parte onde você luta contra os monstros no meio de um palco de show de rock (dica: é o máximo):

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