Análise: Noé

Eu acho interessante saber que Noé é um filme que o estúdio considerou arriscado em todas as frentes possíveis. Eles originalmente tiveram o medo mais tradicional de que católicos fervorosos iriam se revoltar contra as liberdades que o filme toma em relação às escrituras interpretadas pela igreja, e que haveria alguma tentativa de boicotar o filme. Houve até discussões sobre a possibilidade de se reeditar o filme para deixá-lo mais de acordo com a versão convencional, algo a que o diretor Darren Aronofsky se opôs, levando assim ao lançamento para o cinema de sua visão original. E, mais curiosamente, houve o medo (aparentemente justificado, se você começar a ler os comentários se espalhando na internet sobre o filme) do filme também ser boicotado por ateus, que esnobariam o conceito de um filme baseado em uma história religiosa, independentemente de como ela fosse abordada, como uma das muitas tentativas que ateus fervorosos realizam hoje em dia de usar qualquer coisa como um dedo do meio entusiástico para quem crê em algo diferente deles. Isso chega a ser irônico, e levanta novamente a questão de qual é a diferença entre um religioso fanático e um ateu fanático, quando ambos tentam impor suas opiniões sobre o resto do mundo e ridicularizam qualquer um que discorde deles.

Enfim.

Noé é o mais novo filme de Darren Aronofsky, conhecido por sucessos cults como Pi (o filme bom e complexo de 1998, não aquele demo de efeitos visuais de duas horas de duração mal segurado por uma história de 2012), Requiem Para um Sonho, Cisne Negro, e Fonte da Vida. Ele conta a história bíblica que provavelmente é mais conhecida mundialmente depois de Jesus: Noé ouve de Deus que vai haver um dilúvio para purificar o mundo, ele constrói uma arca para preservar um casal de todos os animais, etc, etc. A novidade aqui é o ângulo pelo qual se analisa a história, que na minha opinião é não só extremamente interessante, como torna Noé provavelmente meu filme favorito de Aronofsky até agora.

Uma das coisas que fica mais clara é que o filme está ciente de toda a controvérsia que provavelmente irá causar com o público, e em vez de tomar a saída fácil e ignorar o problema, ele o ataca de frente. Em um determinado ponto do filme, Noé, interpretado por Russell Crowe, conta a versão que o filme interpreta do Gênesis, em seu estilo que mistura mitologia, fantasia e os livros apócrifos da Bíblia, e o resultado é uma mistura incrível de ciência e religião, onde uma montagem exibe a criação do universo, da Terra e a evolução das espécies de uma forma que poderia ter sido retirada de um documentário do Discovery Channel, enquanto a narração de Noé acompanha os eventos com trechos da Bíblia. Isso é uma abordagem extremamente inteligente, tratando os textos como alegoria em vez de fato, o que não é nem a idolatração incondicional dos religiosos extremistas, nem a atitude dismissiva da qualidade literária e imaginativa que é fornecida pelos ateus extremistas.

Neste filme, uma história clássica bíblica se junta a um espetáculo visual grandioso que remete em estilo ao filme dos Dez Mandamentos de Cecil B. DeMille com Charlton Heston. Houve uma época em que isso era o pão com manteiga das megaproduções hollywoodianas. Sério, você já reassistiu Os Dez Mandamentos recentemente? Porque as liberdades tomadas com o material são insanas, DeMille basicamente pegou a moldura da do Êxodo e usou como pretexto para fazer um filme sobre homens sarados, mulheres bonitas, rios de sangue, bolas de fogo, mares abrindo… basicamente, com todas as decapitações, demônios, gigantes, orgias, dragões que existem ao longo da Bíblia, não existe razão para não fazer filmes sobre ela. A única razão pela qual esse poço secou nas últimas décadas é porque a ascensão da moralidade organizada pela mídia finalmente conseguiu conter os desvios burocráticos que estúdios usavam como justificativa para colocar o que quiserem nos filmes (era muito mais fácil aprovar nudez e outros elementos adultos para serem divulgados em um filme bíblico do que em outros gêneros, se os criadores dissessem que o filme estava tentando se manter fiel às escrituras).

De qualquer forma, o assunto abordado pelo filme também tem a sorte de possuir um pouco mais de espaço para respirar sob a visão religiosa, pelo menos em certos setores: embora a maioria dos elementos da Bíblia passados a partir de Abraão sejam considerados fato quase unanimemente por todas as religiões bíblicas, as coisas são muito menos claras no que concerne o período anterior ao dilúvio, abrangendo não apenas a Arca de Noé, mas também o Gênesis, a queda de Lúcifer, o Jardim do Éden, Adão e Eva, Caim e Abel e assim por diante. Enquanto estudiosos mais fervorosos mantêm esses trechos como tão reais quanto os outros, muitos outros, incluindo líderes religiosos modernos, abordam esse material como sendo estritamente metafórico, algo propagado ainda mais pela disponibilidade atual que ferramentas como a internet fornecem dos textos apócrifos (textos bíblicos não-canônicos, ou seja, não reconhecidos como adequados para a versão sanitizada da Bíblia que costuma ser divulgada), incluindo o livro de Enoch e os Pergaminhos do Mar Morto, que continham versões realmente antigas de história bíblicas. A Arca de Noé dos apócrifos é extremamente diferente da versão simples de um velhinho bondoso salvando a família dela e um monte de bichinhos de uma chuva forte. Várias versões descrevem uma Terra pré-histórica que é completamente alienígena ao nosso mundo atual, onde anjos e demônios caminham pela terra, homens praticam magia e vivem centenas de anos, e gigantes, monstros, e semideuses chamados Nephilim vagavam a Terra.

Enfim.

A razão pela qual eu digo isso tudo é porque a abordagem que Aronofsky toma em Noé pode ser vista por muitos como apenas uma tentativa de transformar um texto bíblico em um Blockbuster, adicionando monstros e explosões, quando na verdade essa é uma versão que tem mais a ver com a história original. Também existem liberdades tomadas para adicionar alguns subtextos ambientalistas que funcionam muito bem na mensagem geral do filme em relação à postura que o protagonista tem com o resto da humanidade: os humanos pecadores comem carne por achar que os torna mais fortes, minam a terra até extrair todos os seus recursos, guerream e dobram a natureza para fazer seus desejos, enquanto que Noé e sua família são implicitamente vegetarianos e sabem como viver de forma mais equilibrada. E a ideia é de que a atitude do resto da humanidade está matando o planeta, tornando-o uma terra morta. Puxa, eu me pergunto se tem alguma mensagem aí no meio.

E eu devo admitir, o estilo estético do filme é absurdamente incrível. Aronofsky já provou no passado que ele sabe lidar bem com fotografia, mas Noé ultrapassa praticamente todos os seus trabalhos anteriores. Curiosamente, a parte que é menos explorada visualmente, quando você analisa em termos de tempo de filme, é justamente a parte com a qual as pessoas são mais familiares: os animais em si. Ah, eles aparecem chegando até a arca, com certeza, em cenas visualmente incríveis, mas todos simplesmente entram na arca e são postos para dormir com ervas por Noé e sua família. Em um ponto por volta da metade do filme, Noé e um grupo de anjos caídos estão defendendo a arca dos humanos pecadores que querem invadí-la, e é impossível não sentir uma oportunidade perdida de fazer alguns animais ajudarem, no estilo Crônicas de Nárnia.

No entanto, logo fica claro que esse não é o foco do filme. A partir do momento em que o dilúvio realmente começa, fica evidente que o tema principal do filme é explorar o decaimento psicológico de um ser humano tentando interpretar as intenções de uma força maior. E se você conhece os trabalhos anteriores de Aronofsky, você sabe que ninguém faz decaimento psicológico melhor do que ele. Deus nunca fala pessoalmente com Noé, no estilo árvore em chamas de Moisés. Em vez disso, a comunicação é feita por meio de alucinações em sonhos, que Noé deve interpretar por conta própria. Seria fácil cair ou na linha de “este homem está em uma linha direta com Deus” ou “este home é maluco”, mas aqui, é basicamente uma mistura das duas coisas, como se realizar as ordens de um ser todo poderoso cósmico seja algo tão acima da compreensão humana que você começa a gradualmente perder sua integridade mental e sua noção de bom senso, e gradualmente assume uma postura niilista que pode ser perigosa. E embora o filme possua uma quantidade considerável de cenas de ação, uma vez que a arca é fechada, o drama principal é o da família de Noé tendo que lidar com a possibilidade de que a devoção dele para com sua interpretação dos sonhos acabe o tornando mais perigoso do que a enchente lá fora. É uma virada praticamente genial: por mais da metade do filme, o público é levado a torcer pelo protagonista que tem como objetivo se garantir que todo o resto da humanidade morra por causa de seus pecados, apenas para na segunda metade dar uma virada de perspectiva e lembrar as pessoas que, de certo ponto de vista, esse cara é um psicopata.

No fim das contas, Noé é um filme corajoso, interessante, bizarro, e disposto a correr riscos de uma forma que não se vê muito hoje em dia. Não existe nada recente igual a ele, e eu definitivamente recomendo.

A Outra Lista: Top 11 Games de 2013

Agora que eu já ganhei a atenção do público com a minha lista de uma mídia que já é amplamente respeitada há anos, é hora de fazer a minha lista sobre uma mídia que os céticos precisam aprender a engolir o orgulho e admitir de uma vez por todas que tem tanto potencial para a arte quanto qualquer outra.

2013 não foi um ano muito bom para os jogos de grandes produtoras, mas assim como 2012, houve um boom na quantidade de jogos indies, o que é mais um indicativo para o meu argumento e um bom sinal de que o mercado está ficando mais variado, com pessoas que têm ideias diferentes e originais conseguindo o acesso às ferramentas para conseguir levar esses projetos para a frente, sem precisar de um orçamento de 300 milhões de dólares ou seja lá quanto for que custa cada Call of Duty. Leia o resto deste post

Top 11 Filmes de 2013

Yaaay, outro ano chega ao fim, e com ele chega também a vontade de fazer um lista de top 10 filmes do ano (ou top 11, neste caso). E pra variar, dessa vez eu superei os meus níveis massivos de procrastinação e realmente escrevi o maldito post.

Eu acho válido deixar avisado que, em primeiro lugar, essa é uma lista inteiramente subjetiva, envolvendo tanto os filmes que me divertiram mais, quanto os que eu acho que foram mais relevantes no contexto do ano (tanto em questão socio-cultural quanto em questão de mercado cinematográfico). Em segundo lugar, naturalmente, eu não tenho tempo para acompanhar tudo que sai. É bem possível que Capitão Phillips, A Herança de Mr. Banks, O Lobo de Wall Street e 12 Anos de Escravidão sejam as maravilhas que todos estão falando, mas eu preciso restringir essa lista a coisas que eu tenha assistido. Enfim: Leia o resto deste post

Análise – Magicka

Eu não entendo de onde saiu o trope em videogames de que magos precisam ser vistos de um ângulo sombrio e deprimente. Não sei quem começou, mas hoje em dia todos os jogos grandes de fantasia tem essa abordagem: Dragon Age, The Witcher… até Skyrim, que não tenta tanto assim passar a angústia, também retrata os magos como não confiáveis e desnecessariamente sérios. E saber ter um senso de humor é só uma das razões pela qual Magicka fica muito bem no meu conceito. Com as outras sendo, é claro, o combate interessante e revolucionário, e o quão divertido o jogo é para se jogar com amigos. Leia o resto deste post

As porcarias aleatórias que eu fiz

Sim, eu sei, procrastinando em atualizar o site, buá, buá.

2012 foi uma ano muito produtivo pra mim, visto que quando você estuda cinema você é meio que forçado a fazer coisas relacionadas com o tema. Eu fiz algumas análises de filmes nacionais, apenas uma das quais eu tive coragem de colocar aqui, e andei fazendo análises pequenas de lançamentos internacionais em sites como filmow, que é basicamente a desculpa que eu dou para mim mesmo de não estar publicando nenhuma análise aqui.

Mas dane-se o que eu falei mal ou falei bem, eu sei que o que vocês querem saber é o que eu fiz por conta própria, porque eu sei que toda vez que um de vocês lê uma crítica que esfola completamente um filme ou jogo que você gosta, um dos primeiros pensamentos que passa pela sua cabeça é “o que será que vai ter para o almoço hoje?” Mas depois que vocês param de divagar, vocês pensam “eu queria ver se esse babaca consegue fazer melhor”.

E no geral a resposta é não. É muito mais fácil fazer uma crítica de um filme ruim do que é fazer um filme bom. E o problema é que quando você consegue enxergar os erros em um produto que foi feito por um crítico daquele produto, você ganhou. Você absorve todos os poderes dele , passa pela Ressureição e finalmente adquire o Prêmio que todos  os imortais almejam… não, espera, isso é Highlander. Leia o resto deste post

Vocês Receberiam os Piores Posts dos Meus Lindos Dedos

Erm… oi.

Faz tempo não?

UAU, sete meses exatamente. Não imaginei que já fosse tanto.

Então, erm… Vamos fingir que isso nunca aconteceu? É como eu costumo lidar com problemas. Aceitam? Não escrevam uma resposta nos próximos 3 segundos se aceitam.

Ótimo.

Para atualizar os leitores antigos que ainda não desistiram de acessar o blog pra ver se eu tomava vergonha na cara e colocava alguma coisa nova: eu consegui passar no vestibular e agora faço Audiovisual na USP. O que significa que agora, eu realmente tenho uma desculpa para falar como se soubesse mais do que vocês em relação a filmes! (*abaixa para evitar uma torta que a platéia tentou atirar na cara dele*)

Mas enfim, eu tenho visto muitas estreias de filmes brasileiros desde que comecei a estudar cinema, e uma das minhas matérias exige que eu escreva uma análise por semana desses lançamentos. Ora, será que eu sou um ser tão inferior ao ponto de me aproveitar disso como um jeito de ter o que publicar no meu blog? Sou sim, com certeza!!!

Então agora eu tenho facilmente coisas para escrever, pelo menos até o fim desse semestre que é o quanto essa matéria dura. Vamos começar o com filme Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios, baseado no livro de mesmo nome, Eu Receberia as Piores Notícias dos Seus Lindos Lábios. (*começa a arfar para recuperar o fôlego*)

Leia a análise aqui.

Uma Análise de Filme Nova! GASP!!!

Ok, eu nunca cheguei a explicar, então vocês provavelmente devem se perguntar por quê eu parei de escrever análises de filmes e passei a escrever só as de games. Bem, em primeiro lugar, eu nunca consigo escrever a análise sem ter que falar uma grande parte da história, e acabo inevitavelmente estragando surpresas. Em segundo lugar, enquanto ainda é possível escrever análises de games um ou dois anos depois deles saírem e ainda ser lido, quando você escreve uma análise de filme você é praticamente obrigado a publicar na semana de estréia, porque depois disso ninguém mais se interessa. E eu não sou bom em lidar com prazos.

Mas com Gigantes de Aço eu não tive muita escolha. Eu fui assistir o filme em uma pré-estréia duas semanas antes do lançamento nacional (pessoalmente eu estou surpreso que o cinema da minha cidade tenha feito isso, porque eu já disse que moro no cu do mundo) na véspera de um feriado, então eu tive tempo mais do que suficiente para escrever. E é praticamente impossível estragar surpresas desse filme (leia a análise antes de tirar conclusões baseadas nesse comentário).

Leia a análise aqui.

NNNOOOOO!!! NNYAAAAAHHHH!!!

OK, antes de mais nada, lembra daquele post que eu fiz há algumas semanas falando sobre os caras do Extra Credits? Bem, eles arranjaram emprego no Penny Arcade TV, então a partir de agora você pode ver os vídeos deles aqui: http://www.penny-arcade.com/patv/show/extra-credits. E se você liga para videogames em qualquer plano de existência, você é praticamente obrigado a assistir isso.

Enfim.

Eu gosto de Star Wars. Eu gosto de tudo desde o barulho dos sabres de luz até o rosto sem expressão e ainda assim estranhamente intimidador do Darth Vader, passando pelos grunhidos do Chewbbaca e as frases sábias do Mestre Yoda. Sim senhor, a trilogia antiga do Star Wars é um clássico.

E aí veio aquele idiota do George Lucas e estragou tudo.

Não, eu não estou falando só da trilogia nova, eu admito sim que ela no geral é uma porcaria, mas ainda tem seus momentos, especialmente a luta entre Yoda e Imperador Palpatine (e eu juro que se alguém defender a criação do Jar Jar Binks como um personagem realmente divertido eu vou me enforcar com meu próprio intestino). O que eu estou reclamando é o fato de George Lucas não se cansar de mudar as cenas da trilogia antiga todas as vezes que faz uma remasterização nova. E eu acho que agora ele acabou de fazer a pior de todas.

Você se lembra da cena no final de “O Retorno de Jedi”, onde o Vader resolve ajudar o Luke e joga o Imperador no poço? Era um momento climático do filme, e um momento onde tudo finalmente era solucionado. E a parte mais incrível é que Vader não dizia nada. Ele só ficava lá, parado, olhando o Imperador eletrocutar Luke, seu filho, e olhava de um para o outro, tendo um debate interno, até finalmente decidir fazer a coisa certa e acabar com o Imperador de uma vez por todas. O grande tchans da cena está na falta de diálogo.

Até agora.

Na nova versão remasterizada para Blu-Ray, a cena foi editada, e inseriram um grito de “NÃÃÃÃÃÃOOOOO!!!!” feito pelo Vader que é completamente estúpido. Lembra no final de “A Vingança dos Sith”, quando o Vader gritava “não” por causa da mulher dele ter morrido? Já era idiota lá, e continua aqui. Eu suponho que o George Lucas queria justificar a existência daquele grito fazendo com que ele passasse a ser recorrente.

Aqui, olha só:

Sinceramente, eu estou cada vez mais convencido que a trilogia original foi tão boa desse jeito por puro acidente. O George Lucas claramente não tem a menor noção do que fez os filmes antigos dele serem bons, e ele faz questão de continuar mexendo neles, estragando mais e mais sua obra-prima. É deprimente.

Bem, mudando um pouco de assunto dentro do departamento “gritos idiotas”, eu assisti ao último filme do Harry Potter mês retrasado, e reparei novamente em algo que fica aparecendo desde o quinto filme: o grito do Voldemort.

Você sabe do que eu estou falando. Toda vez que o Voldemort lança um feitiço, ou está com raiva, ou faz praticamente qualquer coisa que requer esforço, ele solta um gemido que eu só consigo escrever como “NNNNNYAAAAAAAAAHHHHH!!!!”

Por exemplo:

(E isso é só no trailer do último filme, o filme em si tem ainda mais)

Não é ameaçador, não tem nada a ver com o personagem, só é cômico. Eu ainda não entendi o propósito disso, mas no último filme estava tão frequentemente que eu sinceramente perdi a conta de quantas vezes ele soltou o grito.

Erm, yep. Isso é basicamente tudo que eu tenho pra postar.

Ah, pera, tinha essa tirinha relacionada:

Comic #30

Tchau.

Post novo. Por quê? Just ‘Cause! 2!

Ignorando o fato que o trocadilho do título só faz sentido se você tiver conhecimento razoável de inglês, aqui está a análise de Just Cause 2. Eu não tenho muito mais a falar sobre o jogo, afinal já comentei sobre ele uns tempos atrás, neste post aqui. Aproveite.

Sa-Botando um Novo Post (nossa, essa foi ruim)

Nova análise publicada, do jogo The Saboteur. Leia aqui.

Será que meu gosto com roupas é tão estranho assim? Eu realmente gostaria de ter um casaco de chuva e boina combinando igual ao protagonista desse game.

Vamos lá, admita, você também gostou.

Enfim, aqui está o esquete do Hitler do Monty Python, porque eu não consegui pensar em nenhum outro vídeo de humor do Youtube relacionado a nazismo que valesse a pena colocar.

Boa semana.

Extra Credits, e a Polêmica no Escapist

Leitores frequentes do meu blog sabem que eu sou apaixonado por videogames. Eu os vejo como uma nova forma de arte (uma que ainda está nascendo e portanto precisa de mais exploração para ficar refinada), e gosto de promovê-los para que um dia sejam tão difundidos quanto cinema ou literatura.

O que provavelmente poucos costumam lembrar é que eu sou um aspirante a designer de games também. Tenho algum conhecimento de programação e costumo brincar com programas de design de games como Game Maker, Unreal Development Kit, e Unity. Ainda não cheguei a fazer algo que mereça atenção mas pelo menos eu aprendo um pouco.

O caso é que um designer de jogos precisa de mais do que apenas saber programar e prototipar um game.  Você precisa (especialmente se planeja fazer um jogo pequeno e sem mais ninguém na sua “equipe”) saber um pouco de psicologia, para projetar o cenário de uma forma que faça o jogador saber intuitivamente para onde ir. Você precisa prestar atenção aos detalhes que criem um mundo próprio, e precisa saber caracterizar esse mundo e os personagens que vivem nele (no caso isso é um pouco mais a função de um roteirista, mas novamente, eu estou supondo que você está fazendo tudo sozinho, ou que pelo menos supervisiona o projeto inteiro).

No geral, existem muitos livros caros falando sobre esses assuntos, e é um pouco difícil saber qual é o melhor. Felizmente, existem dois caras que fazem vídeos para ainternet e falam muito sobre o assunto: James Portnow, designer de games profissional, e Daniel Floyd, animador na subdivisão do Canadá da Pixar. Juntos (e com a ajuda da ilustradora Allison Theus), eles criaram uma série de vídeos no YouTube chamada Extra Credits, que você pode ver no canal http://www.youtube.com/user/kirithem .

Mas então, os vídeos ficaram muito populares, e o grupo acabou sendo contratado pelo site de jogos Escapist Magazine, o mesmo que contratou o crítico de jogo Ben “Yahtzee” Croshaw, do qual eu já falei aqui antes. Então os outros vídeos foram para nesta página aqui http://www.escapistmagazine.com/videos/view/extra-credits .

Agora, antes de entrar na próxima parte, eu quero dizer que todos os vídeos deles são o máximo, e que você deveria ir ver agora. Eles são interessantes até mesmo para que só gosta de jogar games mas nunca quis virar um designer. Para pessoas que querem virar designers, como eu, é uma verdadeira mina de ouro. Eles falam sobre quais as habilidades que um bom designer precisa, o que faz um bom game de terror, como tratar se assuntos como diferença de opção sexual e integração social em jogos, como adaptar gêneros de games ao novo mercado online de microtransações como os games de Facebook, etc, etc.

Mas enfim, recentemente eles tiveram um monte de problemas com o site, porque aparentemente não estavam sendo pagos, e a ilustradora do grupo teve um problema no braço e precisava fazer uma operação para não perder completamente a capacidade de desenhar, e aí o site falou que tinha enviado todo o pagamento atrasado mas não enviou nada, e James e Dan angariaram fundos pelo Rockethub para pagar pela cirurgia, e o site disse que aqueles fundos pertenciam a eles por questões legais, etc, etc, e foi uma bagunça geral. Eu ainda não consegui compreender quem estava errado nessa história, mas se você se interessa em ler esse tipo de coisa, está tudo resumido aqui.

Mas enfim, com isso eles acabaram decidindo sair do site e voltar ao YouTube. Por alguma razão mudaram de canal, então os vídeos novos agora estão em http://www.youtube.com/user/ExtraCreditz .

E basicamente é isso. Divirta-se vendo todos os vídeos, tem material suficiente pra você ficar assistindo por uns dias. Agora se me dá licença,  vou voltar a jogar Terraria.

Alan, Wake up… e você também, Diego

Nova análise publicada, de Alan Wake. Leia aqui. Não tenho muito mais o que dizer, além que estou prestes a entrar de férias e então pode ser que eu ponha em dia as análises que estou devendo. Ênfase na parte do “pode ser”, escrito com letras brilhantes de três metros de altura, então não venham me cobrar se não aparecer nada novo. Leia o resto deste post

A Arte de Contar Uma Piada

A seguir está a reprodução de uma conversa que eu tive com um amigo essa semana, e que resolvi colocar como um post enquanto não termino algum dos meus posts maiores. Eu mudei os nomes dos protagonistas para evitar constrangimento.

BATMAN: Eu tenho uma piada. Por que a galinha atravessou a fita de Möbius?

WOLVERINE: Eu não sei o que é uma fita de Möbius.

BATMAN: Bem, é uma superfície bidimensional que em teoria só tem um lado.

WOLVERINE: Isso é impossível.

BATMAN: Não não, olha, se eu pegar uma tira de papel e juntar as pontas, mas virar um lado antes de fazer a junção, e depois eu resolver traçar uma reta ao longo da fita, sem tirar a caneta do papel, eu eventualmente vou chegar onde comecei. Por que a galinha atravessou a fita de Möbius?

WOLVERINE: Por que ela era um cavalo?

BATMAN: Não, uma resposta ENGRAÇADA. (pausa) Uma galinha não é um cavalo.

WOLVERINE: Desculpa, é que eu tenho pensado muito em cavalos ultimamente.

BATMAN: Okay, por que a galinha atravessou a fita de Möbius?

WOLVERINE: Diga.

BATMAN: Não, você tem que falar direito.

WOLVERINE: O quê?

BATMAN: Você tem que falar “Eu não sei, por QUÊ a galinha atravessou a fita de Möbius”, senão a piada não funciona.

WOLVERINE: Não.

BATMAN: Por que a galinha atravessou a fita de Möbius?

WOLVERINE: Eu sinceramente não quero mais saber.

BATMAN: FALE!

WOLVERINE: (silêncio)

BATMAN: FALE!

WOLVERINE: (mais silêncio)

BATMAN: Fale ou eu vou fazer coisas que você não vai gostar.

WOLVERINE: Ah por favor não.

BATMAN: Porqueagalinhaatravessouafitademöbius?

WOLVERINE: (suspiro)

BATMAN: Porquegalitravessfitamöbius?

WOLVERINE: (silêncio)

BATMAN: Fale ou eu mesmo vou falar!

WOLVERINE: Vá em frente.

BATMAN: Por que a galinha atravessou a fita de Möbius? (pausa) Eu não sei, por QUÊ a galinha atravessou a fita de Möbius? (limpa a garganta) Para chegar do mesmo lado!

(pausa)

WOLVERINE: Você disse que uma fita de Möbius só tem um lado.

BATMAN: Você não entendeu, não é.

WOLVERINE: Não.

BATMAN: A frase “chegar do mesmo lado” é uma referência a algo conhecido, como na maioria das piadas.

WOLVERINE: É?

BATMAN: Sim, porque a piada original pergunta por que a galinha atravessou a rua, e a resposta é que foi para chegar do outro lado.

WOLVERINE: Certo…

BATMAN: Então quando você adapta para a fita de Möbius a galinha tem que atravessar para o outro lado de alguma coisa, mas ela não pode porque não tem outro lado e essa é a piada, então ria.

WOLVERINE: (silêncio)

BATMAN: Sabe, eu acho que vou anotar essa conversa e transformar em um post pro meu blog.

WOLVERINE: (suspiro)

BATMAN: Eu odeio quando você fica suspirando por causa do que eu falo.

Outros Acontecimentos Sobre Games em 2010

Muita gente me mandou e-mails, mensagens de MSN ou simplesmente falou na minha frente que eu deixei muito de lado na minha lista de melhores jogos de 2010. É verdade, o ano passado teve outros acontecimentos muito interessantes. Então para complementar o post anterior (e porque eu não pensei em nada melhor para escrever) aí vai mais uma lista. Dessa vez não só de melhores, mas também de piores, de coisas importantes, e de anúncios que deixaram todos os gamers animados.

Melhor Jogo de Corrida

Basicamente essa foi a categoria que me fez escrever outro post inteiro, então é a única que eu realmente quero debater. Me deixe dizer isso logo de cara: eu tenho um problema com jogos de corrida. Eu os adoro, mas sou horrível neles. Minha pouca habilidade com jogos de corrida só é eclipsada no quanto eu sou ruim em jogos de luta como Tekken e Street Fighter. Mas eu me esforço em conseguir progredir nos jogos de corrida, geralmente só parando depois de várias horas, que é quando começa a ficar repetitivo para mim. Mas o caso é: 2010 teve bons jogos de corrida?

Bem, sim e não. O gênero teve casos muito estranhos nesse ano que passou. Os três principais lançamentos foram Split/Second: Velocity da Disney Interactive Studios, Blur, e Need for Speed: Hot Pursuit (e Gran Turismo 5 se você tiver um PS3, mas eu não tenho como dar minha opinião nele).

Cada um deles tinha grandes idéias e potencial, balanceados por uma execução terrível. Split/Second combinava carros e explosões, algo que todo fã de ação sempre sonha. No entanto, ganhar nas corridas consiste mais em sorte do que habilidade, porque por mais que você tome a dianteira, nada garante que um dos inimigos não exploda um prédio na sua cara e te mande para último lugar quando você estava apenas a 10 metros da linha de chegada.

Blur era um pouco mais estilizado e visualmente bem interessante, mas possuía poderes para derrotar os outros carros, sofrendo do mesmo problema de Split/Second, algo que eu gosto de chamar de Síndrome de Mario Kart: poderes que podem aleijar totalmente o adversário e mudar totalmente o rumo da corrida em uma fração de segundo.

Need for Speed: Hot Pursuit também possuía poderes, mas eram bem balanceados e não chegavam a causar um grande problema. Além disso, a habilidade de jogar como o policial adicionou toda um novo estilo ao jogo. Tinha tudo para ser a minha escolha para o ano.

MAS!

Por acaso você já ouviu falar em “Rubber Band AI”?

Por exemplo: Você está jogando um game de futebol. Seu time está 5 gols na frente, tem 3 minutos faltando para o fim do jogo, e você está com a bola. Sua vitória é garantida, certo?

Nnnnão. Porque de repente o time adversário controlado pelo computador é duas vezes mais rápido que você, sabe para quem você vai passar a bola, para onde essa pessoa está correndo, e manda o time inteiro marcar esse cara. Ou então um jogador adversário consegue interceptar a bola no meio do ar e dá um chute do outro lado do campo, fazendo um gol que parece simplesmente um milagre. Isso se repete, e antes que você perceba você perdeu o que pensava ser uma vitória certa.

Por que isso acontece? Quanto mais você esticar um elástico,quanto mais ele puxa. É a mesma idéia aqui, e de onde vem o termo “Rubber Band AI” (Inteligência Artificial de Elástico). Basicamente, quanto melhor que você está em um jogo, o jogo se torna mais difícil, para continuar sendo um desafio. Isso não é evoluir a dificuldade de acordo com o seu progresso no jogo, isso é fazer com que o nível em que você está fique dez vezes mais difícil instantaneamente por nenhuma razão. Em outras palavras, o computador não ficou melhor, ele simplesmente trapaceou. Esse tipo de coisa é feita para tentar aumentar a dificuldade, mas é simplesmente irritante.

E isso acontece em NFS Hot Pursuit. Aliás, isso acontece em todo Need for Speed que eu me lembre. você pode estar cinco quilômetros à frente de todo mundo, correndo na velocidade máxima e usando nitro, para ver um adversário te ultrapassando com o dobro da sua velocidade. Que inferno.

Então todos os 3 jogos acabam sendo os melhores de 2010, porque nenhum realmente se destaca.

Leia o resto deste post

Os Melhores Jogos de 2010

Ahhn… oi.

Yep, eu estou vivo. Foi uma época bem movimentada essa. Eu tive que lidar com burocracia pra me demitir do trabalho, escrevi meu relatório de estágio, fiz três provas de primeira fase de vestibular e duas de segunda fase, o meu cursinho ainda vai se estender até janeiro, e eu passei a maior parte do meu tempo livre jogando.

O que levou à situação interessante de que agora eu tenho vários jogos para escrever análises, mas normalmente prefiro jogar eles mais ainda do que escrever alguma coisa. Mas que se dane, hora de levantar a bunda do sofá, sentar na frente do computador e fazer alguma coisa menos inútil. Então é com prazer que eu apresento:

OS MELHORES JOGOS DE 2010

2010 foi um ótimo ano para a indústria de games. 2009 tinha sido completamente patético, com um número de jogos decentes tão baixo que mal era preciso se esforçar para lembra quais eram os melhores. Basicamente a culpa foi da crise econômica mundial, visto que a maioria das empresas era considerada como muito bem-sucedida se só precisasse demitir um ônibus inteiro de funcionários. Com esses cortes, vários jogos foram terminados às pressas e sem polimento (vide, por exemplo, The Saboteur), e outros foram completamente cancelados. Então é bom ver que estamos passando por uma recuperação forte.

Obs: Basicamente todos os jogos que eu colocarei aqui ainda não tiveram uma análise escrita. Talvez eu faça uma futuramente, mas não espere com muita fé por isso.

Melhor RPG

Não houve muitos jogos esse ano que realmente pudessem se chamar de RPGs. Ultimamente, as produtoras de jogos acham que se o personagem tiver que carregar vários itens, ou gastar experiência em novas habilidades, eles podem colocar “RPG” na capa do jogo em letras garrafais como estratégia de marketing. Não é assim que funciona.

Este ano, os competidores foram Fallout: New Vegas, Mass Effect 2 e a expansão Awakening para o jogo Dragon Age: Origins. Ambos são bons, no entanto, Awakening tem uma duração de, digamos, 15 horas no máximo, enquanto que New Vegas é tão gigantesco que se você realmente gosta de RPGs, pode alcançar a marca de 200 horas de jogo e ainda assim encontrar coisas para fazer. É verdade que o jogo tem mais bugs do que o estômago de um tamanduá, e você precisa de acesso à internet/Xbox Live/PSN para baixar um patch que resolva todos, mas ainda assim o jogo é bom o suficiente para compensar por essas falhas. Isso sem contar que ele retorna para a franquia Fallout o humor que não havia em Fallout 3, e a adição do modo hardcore (que faz com que você precise comer, beber e dormir frequentemente) deixa o jogo bem interessante. Mass Effect 2 também é muito bom, mas New Vegas consegue explorar mais as possibilidades de um jogo RPG. Então nessa categoria o grande vencedor é Fallout: New Vegas.

Melhor Jogo de Terror

Os três lançamentos do gênero este ano foram Silent Hill: Shattered Memories para Wii, Amnesia: The Dark Descent para PC e Alan Wake para Xbox 360. Shattered Memories é desclassificado logo de cara porque embora não seja um jogo ruim, ele não consegue asustar ninguém. Aparentemente chegamos ao ponto onde a franquia Silent Hill começou a perder o jeito.

Se você tiver tanto um Xbox 360 quanto um PC e quiser saber qual dos outros dois jogos comprar, tudo vai depender do seu gosto. Alan Wake tem uma história consistente, personagens carismáticos, um suspense muito interessante, mas embora ele dê sim algum medo, é razoavelmente fácil de suportar. Como eu não sou o tipo de masoquista que quer o coração pulando pela garganta o tempo inteiro, eu prefiro esse.

Amnesia: The Dark Descent, por outro lado, quer te assustar até a última gota. Ele já foi aclamado como o jogo mais assustador dos últimos anos, e com razão. Mas por outro lado é uma produção independente, o que significa que a empresa não teve o orçamento para  criar uma grande história ou vários personagens. Mas as llimitações técnicas podem ajudar muito no processo criativo quando se vai criar um jogo, e Amnesia é um bom exemplo disso.

Então neste caso temos um empate entre Alan Wake e Amnesia: The Dark Descent.

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